Enchentes: cresce procura por oficinas mecânicas

Antonio Puga, Jornal do Brasil

RIO - Depois da chuva, é hora de contabilizar os prejuízos, principalmente para os motoristas que ficaram presos nos vários alagamentos ocorridos na cidade durante o temporal de segunda-feira. Proprietários de oficinas já contabilizavam quarta-feira um aumento na procura em torno de 30%.

Dono de uma oficina mecânica na Rua Haddock Lobo, na Tijuca (Zona Norte), José Luiz Gonçalves Santos também proprietário de reboques teve que recorrer a um estacionamento próximo para guardar carros de clientes.

O movimento aumentou acima do previsto. Antes do temporal, recebíamos cerca de 10 automóveis por semana, mas, apenas nos últimos dois dias, entraram cerca de 20 veículos na oficina. Tivemos até que usar as vagas de um estacionamento para guardar os carros que ainda não foram consertados explicou.

Segundo Gonçalves, a maioria dos veículos teve as partes elétrica e mecânica afetadas, ocasionando o calço hidráulico (quando a água força a entrada através do escapamento e chega ao motor).

Quando isso acontece, a recomendação é não ligar o carro e rebocar para uma oficina, já que a água afeta vários componentes internos do motor, como pistões e cilindros, podendo provocar o travamento total explicou o especialista.

Recuperar o carro depois de uma alagamento pode custar caro. Quanto maior o problema, mais dispendioso sairá o conserto, principalmente se o motor fundir ou componentes eletrônicos forem afetados.

Pega de surpresa pelo temporal, a vendedora Márcia Gonçalves, dona de um Fiat Palio ano 2008, tentou enfrentar as ruas alagadas de Botafogo para retornar à sua casa, em Niterói.

Quando vi o temporal, ainda tentei chegar à Ponte, só que era muita água, e meu carro não resistiu. Uns rapazes me ajudaram a empurrá-lo, e tive que esperar a água baixar, no dia seguinte. Paguei R$ 200 só de reboque. Falta, agora, o orçamento da oficina lamentou.

Cuidados úteis depois de enfrentar um temporal

Fazer uma revisão geral no carro após uma enchente é a decisão mais acertada por parte do motorista, mesmo aquele que não se embrenhou por ruas alagadas. Segundo o consultor técnico da Fiat, Carlos Henrique Ferreira, o correto é levar o veículo para uma oficina. Mas existem alguns cuidados que podem dar uma pista dos problemas:

A primeira providência é verificar o óleo. Pela vareta, é possível avaliar se entrou água, pela textura do lubrificante. Recomendo também observar o filtro de ar. Se estiver molhado, entrou água. Verifique ainda, velas e escapamento, pois a água pode afetar o catalizador.

Segundo o consultor, o maior risco é de a água ter entrado no motor, provocando o calço hidráulico, que pode quebrar componentes importantes, causando um prejuízo ainda maior.

Técnicos do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) recomendam aos motoristas um check-up não só do motor, suspensão, embreagem e freios, mas também do sistema de injeção eletrônica, além da limpeza do sistema de ventilação.