Desabrigados do Turano lamentam perdas após chuva no Rio

Rodrigo Teixeira, Portal Terra

RIO - Enquanto a população do Rio de Janeiro procura retomar a rotina, os desabrigados em decorrência das fortes chuvas que castigam a cidade desde a tarde de segunda vivem o drama de busca de um lugar para recomeçarem suas vidas. O colégio estadual Hebert de Souza, na rua Barão de Itapagipe 311, Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro é, desde a tarde de terça-feira, o endereço de muitas famílias que perderam ou estão com sua morada condenada pela Defesa Civil na favela do Turano.

A diretora do colégio, Adriane Brito, disse que as famílias tomaram a iniciativa de procurar abrigo na escola e o que fez para viabilizar a liberação do espaço para dar apoio às famílias. "Para abrir as portas para eles, entrei em contato com a Coordenadoria de Educação que sinalizou positivamente. Devido a isso, não temos data para retomar as aulas. O mais importante agora é dar total assistência a essas famílias. Muitas pessoas estavam em áreas de risco, em casas prestes a desabar. Se não estivessem aqui, seguras, poderiam ter morrido", afirmou.

Leonardo da Silva, 23 anos, instalador de redes de proteção, contou ao Terra sobre sua situação. "A minha casa foi interditada, pois corre muito perigo, segundo a Defesa Civil. A casa do meu vizinho caiu. Não durmo desde a madrugada. Estamos fazendo as refeições aqui e dependemos de doações. Vamos ver se daqui para a frente colocam a gente em uma área segura. Estou cansado de promessa, até agora nada", disse.

A Secretaria Municipal de Assistência Social esteve no local nesta quarta fazendo o cadastramento das famílias, para facilitar a participação destas em programas de inclusão. A SAMAS informou que fará uma parceria com a Secretaria Municipal de Habitação para que esses dados sejam apresentados e as pessoas possam ter o acesso a uma nova moradia ou ao aluguel social.

Eugenia da Silva Fonseca, 71 anos, é pensionista e fez um apelo às autoridades. "Entrou água na minha casa e onde moro não tem esgoto. A luz é de 'gato' e acaba com qualquer vento. A Light não liga um fio lá. Se eu tivesse a opção de pagar alguma coisa, eu pagaria. Mas nem esse direto nos dão. Há 53 anos ninguém bate na minha porta para ajudar, só para pedir voto. Eu já não aguento mais fazer cadastramento para ganhar uma casa. Não acredito mais em ninguém", disse.

Para a doméstica Fabiana Rodrigues de Souza, 27 anos, "está sendo muito difícil. Minha casa tem barranco na frente e atrás. Apesar de aqui ter banheiro e comida, não é igual a casa da gente. Não existe melhor lugar que a casa da gente. Acredito em um futuro melhor e dignidade para todos que estão na mesma situação que eu", afirmou, mostrando como muitas pessoas que moram em áreas de risco se sentem.

Estragos e mortes

A chuva que castigou o Rio de Janeiro entre os dias 5 e 6 de abril deixou pelo menos 138 mortos, mais de 135 feridos, alagou ruas, causou deslizamentos e destruição no Estado. O Serviço de Meteorologia do Rio registrou no período o maior índice pluviométrico da cidade desde que começou a medição, há mais de 40 anos: 288 mm.