Niterói: Cidade sofre com deslizamentos e número de mortos chegou a 48

Marcelo Fernandes e Paulo Marcio Vaz , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A Região Metropolitana também foi bastante castigada pelas chuvas. Até o final da tarde, o número de óbitos em Niterói era de 48. O temporal deixou pelo menos 1.100 pessoas desabrigadas no município. Prefeitura de Niterói pediu e o governo do estado declarou estado de calamidade no município.

As secretarias estadual de Defesa Civil e de Segurança e Defesa Civil do município montaram um posto de Comando e Monitoramento devido à situação, na Rua Jansen de Mello, no centro de Niterói. A Secretaria Municipal de Educação cancelou as aulas e pôs as unidades escolares à disposição dos desabrigados.

Durante a madrugada, duas pedras atingiram um bloco do Conjunto Habitacional da Ponta da Armação, onde residem servidores da Marinha. A Defesa Civil esteve no local e interditou três blocos próximos da encosta dentre os oito do condomínio. Um homem desapareceu no acidente. O Corpo de Bombeiros informou que só poderá continuar as buscas após encerrada as chuvas, por causa do risco de novos deslizamentos.

As chuvas que atingiram a Região Metropolitana tiveram um momento de heroísmo, protagonizado pelo iatista Torben Grael em Niterói, que salvou uma mulher e uma criança durante um deslizamento em frente à sua casa. O marido da mulher, que guiava o veículo atingido, morreu soterrado por um novo deslizamento após ter a família salva.

São Gonçalo

Vizinha à Niterói, a cidade de São Gonçalo foi mais uma que sofreu com as chuvas. A prefeitura confirmou pelo menos cinco mortes. Somente no bairro de Itaúna, 2.170 famílias ficaram desabrigadas. Colégios municipais também foram disponibilizados como abrigos.

A situação em Niterói terça-feira era de desolação. Na Avenida Amaral Peixoto, a principal do Centro, sobravam vagas no sempre disputado estacionamento ao longo da rua. O comércio era um mar de portas fechadas. Algumas agências bancárias não abriram, por falta de funcionários. Os poucos ambulantes que se arriscaram a montar suas barracas amargavam o prejuízo. Nem o vendedor de sombrinhas estava feliz.

Eu trabalho vendendo alicates e outras miudezas. Sombrinha é minha segunda opção disse Alexandre Luís, de 37 anos, há três trabalhando na esquina da Rua da Conceição com a Avenida Visconde do Rio Branco. Na terça-feira, quase não tinha ninguém na rua.

Na Rua da Conceição, outra bastante movimentada do Centro, o cenário não era mais animador. No único dos inúmeros restaurantes de comida a peso aberto, em plena hora do almoço o movimento era maior na calçada, onde um caminhão guinchava um dos últimos carros que ainda aguardavam por socorro desde a noite anterior, quando a chuva arrasou a cidade.