Meteorologistas pensam que tempestade esteja entre maiores da história

Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Mesmo com o prefeito Eduardo Paes tendo declarado, terça-feira, que o Rio estava diante da maior tempestade já enfrentada em todos os tempos, os meteorologistas não confirmam a afirmação feita pelo gestor municipal. Segundo eles, as fortes chuvas do ano de 1966 não foram superadas pelo recente temporal, se analisarmos em termos de danos anteriores foram maiores. Segundo Paes, o recorde pluviométrico havia sido registrado em 1966, quando foram contabilizados 245 milímetros em 24 horas. Nesta tempestade, o índice atingiu 288 milímetros dentro do mesmo período.

Existem registros de chuvas parecidas nos anos de 1971, 1988 e a famosa tempestade de 1966 destacou o meteorologista, Lúcio de Souza, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Acredito que os atuais dilúvios estejam, pelo menos, entre os três mais ferozes que castigaram o Rio de Janeiro.

As enchentes e os deslizamentos de 1966 ocorreram no mês de fevereiro nos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, provocando a morte de 250 pessoas e deixando 50 mil desabrigados. Em 1971, também em fevereiro, a cidade voltou a ser atingida por uma forte chuva. Naquela oportunidade, ocorreram vários deslizamentos em morros da cidade. Ao todo, foram 53 mortes e mais de 20 mil ficaram desabrigados.

Em 1988, o estado novamente se viu diante de uma das maiores tempestades. Em 1º de fevereiro, 277 pessoas morreram e duas mil pessoas foram levadas para abrigos depois de uma série de enchentes em Petrópolis e na Baixada Fluminense. Onze dias depois, um deslizamento de terra no Morro Santa Marta, em Botafogo, ocasionou a morte de outras seis pessoas. A enxurrada destruiu completamente 30 barracos da comunidade. Na semana seguinte, mais enchentes e deslizamentos por toda a cidade, com 289 mortes, 734 feridos e prejuízos de R$ 2 milhões.

As grandes inundações históricas se deram ao longo de alguns dias. Inicialmente, não creio em um quadro igual analisa o meteorologista Luiz Carlos Austin. Você pode ter 288 milímetros de precipitação, como ocorreu, mas ter uma reação diferente em cada tempestade.