Museu Imperial: 70 anos de realeza

Flávia Salme, Jornal do Brasil

TERESÓPOLIS - Que seria da cidade serrana de Petrópolis se não existisse o Museu Imperial? Ao que testifica a história, talvez não seria. Foi graças às andanças de D. Pedro I em busca de apoio para a Independência do Brasil que o município, atualmente com 315.119 habitantes segundo o IBGE, nasceu. Não à toa, seus munícipes entram hoje em festa para comemorar os 70 anos do espaço apontado como a residência de verão favorita da família real brasileira , um dos mais visitados no país.

Segundo os registros, em 1822, D. Pedro I cavalgava rumo à Vila Rica (MG) quando ficou encantado com a Mata Atlântica e o clima da região. No caminho, hospedou-se na Fazenda do Padre Correia, que, em vão, tentou arrematar. Restou a Fazenda do Córrego Seco, adquirida em 1830 por 20 contos de réis.

Por conta do imbróglio sucessório em Portugal, coube a D. Pedro II baixar um decreto para criar a cidade, e contratar o militar e engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler para erguer o Palácio Imperial. A construção do prédio neoclássico durou de 1845 a 1862. Aí veio a Proclamação da República, e a Princesa Isabel alugou o espaço para os colégios Notre Dame de Sion e São Vicente de Paulo.

Por apelo do ex-aluno Alcindo de Azevedo Sodré, um amante da história, Getúlio Vargas lançou a caneta do bolso (teria sido a famosa Parker 21, de ouro?) e assinou o decreto Lei n° 2096, em 29 de março de 1940, que criou o museu. Mas a casa dos monarcas só foi aberta à visitação pública três anos depois, na comemoração do centenário Petrópolis, em 1943.