Bandeira 2 em ladeiras não tem regras

Caio de Menezes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A resolução 1.978 da secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), que autorizou, desde o último dia 3, os táxis a usarem a Tarifa 2, mais conhecida como bandeira 2, quando trafegarem por ladeiras íngremes tem causado polêmicas e constrangimentos, tanto a taxistas quanto a passageiros. A questão está na subjetividade do termo, que não define quais vias são íngremes ou não, cabendo ao taxista decidir quando deve acionar a bandeira 2.

O taxista Gilmar Gois de Oliveira, de 45 anos, há 15 na praça, disse que quando sai da Usina (Zona Norte) onde faz ponto e passa pelo Alto da Boa Vista, é comum ouvir questionamentos de seus clientes sobre o porquê de passar o taxímetro para a bandeira 2.

Infelizmente falta divulgação quanto a isso. Ninguém está informado e não há informação. Outro dia uma passageira insinuou que eu estava sendo desonesto, isso entristece. Nas corridas em que o custo é inferior a R$ 15, sequer faço a mudança, para evitar atritos e questionamentos disse ele resignado.

O advogado Bruno Ulharuso, de 32 anos, afirmou que passou por situação semelhante quando ia do Grajaú (Zona Norte), onde vive, para Jacarepaguá (Zona Oeste), pela Auto Estrada que liga os dois bairros. Segundo ele, os turistas são os mais afetados.

Se quem é da cidade se sente prejudicado, imagina quem vem de fora. O cara acha que o taxista é desonesto. Quando não sabia sobre a determinação, questionei um motorista sobre a mudança. Ele explicou, então confiei nele, apesar de não ter nenhum documento oficial que comprovasse o que ele me disse.

De acordo com a SMTU, na época da elaboração das modalidades de cobrança das tarifas, não existia um mapeamento das áreas íngremes da cidade. A Secretaria informou ainda que a partir de reclamações recolhidas através de sua Ouvidoria (2286-8010), poderá definir as vias que se enquadram no conceito de íngreme. Para o órgão, deve haver consenso entre motoristas e passageiros.

O doutor em engenharia de transportes pela Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando McDowell afirmou que é impossível definir a olho nu, se uma ladeira é ou não íngreme. De acordo com ele, a determinação não se justifica.

Só é possível medir a inclinação utilizando um aparelho chamado clinômetro, que deve ser digital para fácil visualização do taxista e de seu passageiro. Mas essa determinação é absurda. Quando se calcula o custo operacional de um veículo, considera-se que o veículo que sobe uma rampa também desce. Logo, se há aumento de preço na subida, deve haver desconto quando o carro descer a ladeira comparou.