Secretaria revela detalhes do projeto para reformar a Vila Operária

Jornal do Brasil

RIO - Thiago Feres

Após um longo período de abandono pelo poder público, a prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Habitação, anunciou que pretende iniciar, em breve, um projeto de recuperação da Vila Operária da Rua Salvador de Sá, no Estácio (Zona Norte).

Na edição de domingo, o JB mostrou que as construções do ano de 1906 apresentam risco iminente de desabamento nos forros dos telhados, segundo informação do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). Pelo fato de os dez prédios da Vila Operária serem tombados pelo município, o custo da obra tornou-se ainda mais elevado, já que é preciso preservar o projeto original.

A reforma foi muito estudada e precisou ser acompanhada de perto pela subsecretaria do Patrimônio Cultural afirmou Washington Farjado, subsecretário da pasta. Faremos uma adequação desses espaços para habitações contemporâneas, mas manteremos uma residência, não habitada, para preservação da memória.

A Secretaria Municipal de Habitação informou que após a reforma, as famílias que já habitam no local deverão adquirir um dos imóveis, podendo fazer através do programa Minha Casa, Minha Vida. Ainda de acordo com a pasta, quem não tiver renda para comprar um dos apartamentos restaurados, será reassentado pela gestão municipal. No entanto, a prefeitura não informou para onde os moradores serão deslocados.

Atualmente, a gestão municipal negocia com o governo estadual a migração de algumas famílias da Vila Operária para empreendimentos que serão construídos na área do antigo presídio da Frei Caneca, também no Estácio.

Mesmo com a Secretaria de Habitação destacando que todo o processo de transferência das famílias será feito após debates e negociações com os atuais moradores, alguns deles já se demonstraram irredutíveis, no que diz respeito ao afastamento da Vila Operária.

Tenho 77 anos e, fui nascida e criada por aqui destaca Célia Baptista, apoiada na varanda de uma das residências. Apesar dos problemas, que são muitos, não tenho qualquer desejo de mudar daqui. Minha história de vida está toda feita dentro deste apartamento. A reforma me deixa feliz, mas não teria dinheiro para pagar pela casa reformada.

Maria de Fátima Rodrigues, 45, também é moradora da Vila Operária e mãe do jovem Gabriel, 10, que sofre de Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) doença que provoca

alterações no sistema imunológico. Para ela, pagar por uma residência reformada também seria inviável.

Estou aqui na casa da minha irmã pela falta de condição financeira. Não teria como pagar por uma obra de recuperação da casa destacou.

O projeto de reforma dos edifícios, que está em fase de aprovação pela Secretaria Municipal de Urbanismo, resultará em 82 unidades habitacionais, sendo sete delas como sala e quarto (com área total de 40 metros quadrados), 49 casas com sala e dois quartos (com área total de 50 metros quadrados vide planta baixa), e outras 26 unidades de sala e três quartos (com área total de 58 metros quadrados). A Vila Operária ocupa dez quadras na Rua Salvador de Sá. O prédio 7-A servirá para fins culturais.

Prédios devem ser demolidos no Centro

Somente no último mês, a Secretaria de Urbanismo publicou no Diário Oficial do Município mais de 25 pedidos de demolições de prédios situados no Centro do Rio. As últimas solicitações foram feitas para edifícios situados na Rua Conselheiro Josino e na Avenida Henrique Valadares, próximo a Praça da Cruz Vermelha.

Entre os prédios, existe um que pertence ao Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj). A assessoria de imprensa da Secretaria de Urbanismo informou que após a publicação no Diário Oficial, todo o imóvel fica durante 25 dias fechado esperando qualquer manifestação a favor ou contra ao pedido de demolição.

Depois disso, começa a fase de análise para saber se existe a viabilidade para que o prédio seja mesmo derrubado. Neste período, uma série de avaliações é feita, assim como todas as partes envolvidas na construção são ouvidas pela gestão municipal.

Como cada procedimento tem as suas particularidades, não é possível estabelecer um prazo exato para saber em quanto tempo as edificações serão efetivamente demolidas. No entanto, a mudança da arquitetura no Centro do Rio já preocupa alguns especialistas no assunto.

Toda e qualquer substituição arquitetônica deve ser pensada com muita calma, principalmente quando o cenário é o Centro avalia o arquiteto e urbanista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Conduru. Nosso estado já foi muito castigado ao longo dos anos na questão estrutural e arquitetônica, mas parece que as coisas não mudaram muito.