Palestras e cursos preparam professores para lidar com agressões

Carolina Monteiro, Jornal do Brasil

RIO - O Rio de Janeiro é visto como uma cidade violenta por turistas e moradores. Para não se tornarem vítimas pelas ruas da cidade, cariocas criam mecanismos e percursos maiores do que o necessário para se deslocarem. As escolas também não escapam da violência. Por isso, cresce o número de iniciativas para preparar profissionais ligados à educação a lidar com o tema dentro das salas de aula.

Uma das iniciativas neste sentido é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que oferece o curso Enfrentamento da violência e defesa de direitos na escola. O objetivo do curso, que começa em maio, é ajudar professores da rede pública a lidar com os efeitos da violência dentro das instituições de ensino.

Esse curso foi uma necessidade. Nós da Fiocruz, trabalhamos há mais de 20 anos com a área de violência contra crianças e adolescentes revela uma das coordenadoras do curso, Simone de Assis.

Os organizadores esperam que os ensinamentos permitam ao educador refletir sobre as formas de violência que existem na escola. Tanto as que surgem dentro do ambiente educacional como as que vêm de fora. Além disso, as aulas buscam tornar nítido para o professor como a violência repercute na vida dos alunos.

Queremos fazer o professor pensar e saber como agir para ajudar o aluno explica a coordenadora.

O curso vai ser oferecido a professores da rede pública em cinco pólos no estado: Duque de Caxias, Nova Iguaçu (ambos na Baixada Fluminense), Volta Redonda, Rio de Janeiro e Campos/Macaé.

A violência também foi tema de evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UerjJ). O 3º Simpósio sobre o Mosaico da Violência foi apresentado na última semana. Dentre os diversos temas relacionados com a violência, estava o bullying (termo vindo da língua inglesa, que significa violência entre iguais, em especial no contexto escolar).

A doutora Leila Cury Tardivo, professora da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a palestra Bullying: um problema antigo ou um novo transtorno? . O material é resultado de uma pesquisa que ela está iniciando na USP para orientar educadores e famílias. O estudo mostra que nunca houve tanta violência sofrida, como também praticada por jovens. A violência praticada entre crianças vai desde provocações, apelidos, até o roubo de pertences e agressões graves.

Brincadeira sempre houve, o problema é a violência