A volta das palmeiras

Marcelo Fernandes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Uma boa notícia para aqueles que passeiam no Aterro do Flamengo e gostam de apreciar a flora do local: está programado para esta terça-feira o plantio de 13 palmeiras da espécie Corypha umbraculifera, conhecidas como palma talipot, uma das preferidas do paisagista Burle Marx. As mudas, com cerca de dois metros de altura, são uma doação do Horto das Palmeiras, que fica na Ilha de Guaratiba, à Prefeitura do Rio.

O evento acontecerá entre o Museu de Arte Moderna e o Monumento aos Pracinhas. O projeto original, inaugurado em 1965, previa que 81 palmeiras deste tipo ornamentariam o Aterro do Flamengo. Segundo a Fundação Parques e Jardins, atualmente existem 60 árvores, às quais serão somadas as 13 doadas.

De acordo com o diretor de arborização de Fundação Parques e Jardins, David Lessa, o ponto onde serão plantadas as árvores eram ocupados originalmente por plantas similiares às que morreram.

Nós identificamos entre o MAM e o monumento 13 pontos onde originalmente tinham espécies similares, que morreram entre 1997 e 1998, onde as árvores doadas serão plantadas informa.

Em outubro do ano passado, 12 Corypha umbraculifera, também chamada de palmeira-das-bermudas, começaram o processo de florescimento e a entrar em declínio. Elas estão na fase de frutificação, quando são recolhidas as sementes que serão coletadas e podem dar origem a novas mudas. Depois, elas serão cortadas, e novas plantas, mais jovens, colocadas no lugar.

Para substituir essas, temos cerca de 15 palmeiras plantadas no horto da Fundação, na Taquara. Como elas ainda não se desenvolveram totalmente e estão em um porte muito pequeno para o campo, nós as resguardamos para evitar atos de vandalismo conta Lessa.

Para a paisagista Cecília Beatriz, que é membro da Associação dos Amigos do Jardim Botânico, o plantio das mudas é uma excelente notícia para os cariocas e apreciadores da flora em geral.

Isso é uma maravilha, essa palmeira é como se fosse uma escultura, e tem uma história no país de origem, onde vive de 70 a 80 anos. Aqui no Brasil, ela dura cerca de 40, mas não existe uma explicação para isso. Pode ser devido ao clima ou ao solo argumenta, acrescentando que a palmeira é muito rara.

A palmeira talipot é uma espécie nativa do sul Índia (Costa do Malabar) e do Sri Lanka. É uma das maiores do mundo, podendo alcançar cerca de 25 metros de altura. O período conhecido como inflorescência (nascimento de mais de uma flor na haste da planta) também chama a atenção dos especialistas, já que a copa pode chegar a seis ou a oito metros de comprimento.