Uma ideia para não ser descartada

Carolina Monteiro, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A população brasileira ainda usa quantidades enormes de sacolas plásticas. Estima-se que 1,5 milhão sejam consumidas a cada hora. No Rio, apenas nos supermercados, são 200 milhões de sacolas utilizadas por mês, segundo dados da Associação de Supermercados do estado. Apesar disto, os cariocas parecem estar se sensibilizando com os danos que o consumo excessivo das sacolinhas causam ao meio ambiente.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou no ano passado uma lei visando diminuir os impactos ambientais da utilização e o descarte inadequado das sacolas plásticas. Entretanto, um grupo de trabalho da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj (CDMA) está criando uma proposta de alteração desta lei. A comissão pretende estender seus efeitos. No texto original, apenas os supermercados estão sujeitos às mudanças. Agora, a Alerj quer que farmácias, padarias e demais comércios sejam incluídos.

Há também um processo de educação da população, que já está habituada às sacolinhas explica a deputada Verônica da Matta, da CDMA.

Um dos focos das campanhas de conscientização é informar melhor o consumidor sobre as formas de utilizar e descartar as sacolas. O Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos Plastivida, em pesquisa feita em parceria com o Ibope, verificou que o brasileiro reutiliza as sacolinhas em quase 100% dos casos. O problema é que nem sempre o cidadão sabe reutilizar da forma correta.

As sacolas de supermercado devem ser feitas com plástico virgem, já que entram em contato com alimentos. Por isso, depois de utilizada, o ideal é que ela seja reciclada ou reutilizada.

Mas como são feitas de material virgem, as sacolas de mercado não devem ser usadas com lixo - afirma o coordenador de mobilização do Instituto de Consumo Consciente, Akatu, Ricardo Oliani.

A baixa resistência das sacolas plásticas é outro problema que leva ao desperdício. As sacolas deveriam suportar até 6 kg cada uma. Entretanto, não é isso que é visto.

Para carregar uma garrafa PET, o consumidor tem que usar até três sacolas, quando uma sacolinha deveria ser suficiente para três garrafas diz Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do Instituto Plastivida.

Impactos ambientais

Mas a situação tem melhorado. Lentamente, é verdade. Desde o início das campanhas, aumenta a popularidade das ecobags e diminui a quantidade de sacolas plásticas consumidas. Segundo dados do instituto Plastivida, desde 2007, houve uma economia de 2,9 bilhões de sacolas plásticas no país. Apesar da redução percentual ser significativa, as mudanças ainda não podem ser percebidas no impacto ambiental causado pelas sacolas.

O descarte desordenado dos sacos plásticos leva ao seu acúmulo em rios, lagoas e bueiros. Com isso, o escoamento da água durante as chuvas fica prejudicado, causando enchentes. No Rio de Janeiro, alguns locais sofrem constantemente as consequências do descuido da população. Na ecobarreira do Canal do Cunha, por exemplo, é retirada mais de uma tonelada de resíduos plásticos por mês.