No Monobloco, foliões são espremidos entre corda e multidão

Marcelo Fernandes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para quem já é fã de Monobloco, não basta ir ao desfile, tem que ficar colado na corda que protege os músicos e o caminhão do bloco. Mesmo sendo sistematicamente empurradas, um grupo de cinco amigas fantasiadas de girassóis ignoraram pisões e o calor apenas para ver mais de perto os ídolos.

Carioca gosta mesmo de uma muvuca. Mas tá valendo, fui a todos os blocos e quem frequenta sabe que é assim mesmo observa a estudante de design Stephanie Garcia, de 20 anos, entre um tranco e outro da multidão.

É disso mesmo que eu gosto, ficar espremido no meio do povo. Amanhã nem vou trabalhar, já que sou meu próprio patrão e posso me dar folga disse o engenheiro de telecomunicações Fábio Rocha, 30, morador de Niterói.

Outros que sofreram mas não curtiram foram os 120 homens contratados pela organização que impediam que foliões mais afoitos invadissem a área dos percussionistas. Apenas um deles não tinha que reclamar: enquanto segurava o cordão de isolamento, era agarrado por uma foliã mais afoita.

É complicado trabalhar nesta situação, mas assim não tenho do que reclamar brincou ele, que às vezes pegava impulso com as pernas em uma Kombi para empurrar o público de volta.

Folia prolongada

Para algumas pessoas, o Monobloco foi apenas o último de uma maratona que começou na sexta-feira anterior ao carnaval, emendando inclusive a quinta e a sexta-feira, consideradas dias úteis.

Estou há dez dias na festa. Deveria ter trabalhado esses dois dias, mas o meu emprego não me paga porque a empresa está falindo. Então, peguei um empréstimo e tirei esses dias para curtir conta o torneiro mecânico Gílson dos Santos, 26.

Outras pessoas tiveram mais sorte e contaram com o consentimento do chefe, no caso, o próprio pai.

Ser filho do dono tem suas vantagens, por isso emendei todos os dias. Na verdade, só trabalho de vez em quando na gráfica do meu pai admite Leandro Lopes, 27 Na verdade, eu gosto de trabalhar, mas isso aqui me atrapalha acrescenta ele, apontando para a latinha de cerveja.