Sorvete é o melhor antídoto contra calor e pode virar moda no inverno

Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O forte calor e as temperaturas elevadas no Rio, que já chegaram a ultrapassar os 41 graus, estão provocando o desaparecimento de alguns sorvetes e picolés do mercado. Basta circular por alguns quiosques da orla ou padarias da cidade para constatar o fato.

Com mais de 30 anos trabalhando em uma carrocinha no Arpoador (Zona Sul), o vendedor Fausto Rodrigues confirma que a variedade torna-se menor no período.

Tenho terminado os dias praticamente sem sorvetes para vender. Os sabores de frutas e de chocolate são os mais procurados. Acho que o produto vem servindo de alternativa para o povo conseguir se livrar do calor analisa.

A procura do carioca é o retrato de uma pesquisa feita pela Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes (Abis), onde foi constatado que dos 950 milhões de litros do produto fabricados anualmente, 73% é consumido apenas nos meses mais quentes do ano, ou seja, de setembro até março. O presidente da Abis, Eduardo Weisberg, diz que uma distorção cultural é a principal responsável pela discrepância entre a venda de sorvetes nas diferentes estações.

Uma empresa do ramo foi a responsável por destruir o mercado. Conseguiu criar a filosofia de que o sorvete no palito deve ser consumido na praia debaixo de sol forte. Isso não existe no resto do mundo, somente no Brasil. No inverno, por exemplo, grupos de amigos se encontram para tomar cerveja, mas não pedem um sorvete. Mesmo assim, o mercado cresceu 3% em 2009 lembrou Eduardo.

A gerente de finanças da sorveteria Itália, Simone Viana, revela que a empresa também acompanha a tendência brasileira, mas destaca que na Zona Sul do Rio, onde existem 22 lojas da marca, a diferença existente entre as estações é relativamente menor.

Acredito que o lançamento de uma linha de sorvetes cremosos está favorecendo o equilíbrio nas vendas. Hoje, o consumo durante os meses de mais calor representa 60%. Parte da população já aprendeu que sorvete serve para qualquer época do ano diz.

É justamente o caso das primas Antônia Hortênsia, 14, e Tatiana Silva, 20, moradoras de Copacabana. O passeio favorito delas, na orla, sempre é acompanhado de um picolé, independentemente da estação.

Tenho o hábito de tomar sorvete em qualquer período do ano. Adoro e ainda me sinto alimentada, mas não abro mão do sabor: tem que ser de chocolate, sempre frisa Tatiana.

O mercado de sorvetes no Brasil movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano. Apesar do alto consumo no verão, os números perdem expressão quando comparados aos de outros países. Em média, o brasileiro ingere 4,7 litros anuais, menos de um terço do consumo per capita registrado em alguns países nórdicos e frios, como a Dinamarca.

De acordo com dados do Euromonitor, os dez sabores mais consumidos no Brasil são: chocolate (28,8%), baunilha (10,3%), morango (9%), creme (3,8%), caramelo (3%), coco (3%), abacaxi (2,2%), passas (2,2%), maracujá (1,9%) e rum (1,9%). O consumo dos sabores de frutas tropicais também cresce vertiginosamente por aqui.