Capitão diz que sobreviventes ficarm 38 horas à deriva em botes

Mariana Canedo , Portal Terra

RIO DE JANEIRO - O capitão do navio veleiro canadense Concórdia, William Curry, disse neste sábado, ao chegar à base naval do Rio de Janeiro, que os sobreviventes do naufrágio esperaram 38 horas em alto mar até a chegada do primeiro socorro. Segundo Curry, a embarcação começou a afundar por volta das 14h15 de quarta-feira e, após tombar, em 30 minutos já estava totalmente submersa.

Curry, que chegou com outros 11 resgatados em terra firme por volta das 11h deste sábado, afirmou que o motivo do naufrágio foram fortes ventos que atingiram o navio. Ele contou que já havia previsão de tempo ruim no percurso entre Refice (PE), última parada do Concórdia, até Montevidéu, no Uruguai, destino final do navio nesta viagem. Contudo, Curry disse que não seriam intempéries fora do normal.

A previsão de de ventos e ondas entre 3 m e 4 m. "Não são condições extremas, seria só mais um dia ruim no mar", disse o capitão.

Curry afirmou que os alunos do navio-escola tiveram sorte, pois, na hora do naufrágio, estavam todos no convés principal, um local de fácil acesso. O capitão contou que também outro fator que ajudou a todos saírem com vida foi o investimento em equipamentos de salvamento feito pelo dono da embarcação. Segundo Curry, havia equipamento suficiente para atender a 138 pessoas, sendo que o navio tinha 64 a bordo. "É importante, porque em casos de acidente, muitos equipamentos se perdem".

Um cozinheiro pegou facas, cortou as cordas que dão suporte aos botes e os jogou no mar. Após o naufrágio, todos foram para as balsas e esperaram cerca de 38 horas até que um navio japonês os avistasse em alto-mar.