Ilha Grande tem 87 casas ilegais

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mapeou os aspectos ambientais de 175 ocupações em Ilha Grande, Angra dos Reis. Os técnicos notificaram 87 imóveis com suspeita de irregularidades nas licenças urbana e ambiental. O Instituto solicitou aos proprietários desses imóveis os documentos que autorizaram a ocupação do solo e a construção na área da ilha.

O estudo identificou que a ocupação se deu de forma lenta, desordenada e irregular, principalmente nas localidades de Provetá, Praia Vermelha e Araçatiba, ao longo dos últimos 70 anos. Tal ocupação trouxe instabilidade para a maioria das construções.

Essas casas são, em sua maioria, construções simples usadas como moradia. Dezesseis por cento apareceram como habitações de veranistas e 12% são destinadas a pousadas explica o coordenador geral de fiscalização do Inea, Carlos Fonteles.

Ele esclareceu ainda que no levantamento feito após a tragédia do dia 1º de janeiro, os técnicos percorreram a ilha e identificaram 23 áreas que sofreram deslizamentos de terra, além da região da enseada do Bananal.

Uma das conclusões apresentadas pelo estudo é de que toda a Ilha Grande vai precisar passar por estudos mais aprofundados, sobretudo na análise de relevo, com o objetivo de embasar orientações da forma de ocupação e uso do solo.

O relatório conclusivo recomenda que a Prefeitura Municipal de Angra dos Reis realize um levantamento das construções da ilha. As que já estão concluídas, irregulares e em situação de risco, deverão ser interditadas e derrubadas. Já as em andamento que não atendem à legislação urbana e ambiental vigente terão que ser embargadas.

Segundo Fonteles, caberá também à Defesa Civil promover visitas técnicas e interditar todas as áreas de risco de deslizamentos e desabamentos, que foram mostradas no estudo.