Rocinha terá UPP em 2010

Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou na tarde desta quinta-feira, durante uma visita à Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana (Zona Sul), que 300 mil moradores serão beneficiados por Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em 40 comunidades do Rio, até o final deste ano. Entre elas, estarão Rocinha e Vidigal.

Os números já consideram as sete favelas onde o policiamento comunitário está atuando Cidade de Deus, Babilônia, Chapéu Mangueira, Santa Marta, Jardim Batan, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo.

Com a pacificação da Rocinha e do Vidigal, será possível garantir a segurança da orla, que faz parte do corredor turístico da Zona Sul da cidade.

Beltrame voltou a garantir que estenderá o projeto das UPPs, a partir do início de março, a comunidades da Zona Norte da cidade, começando pelas favelas da Tijuca.

Estamos prontos para dar continuidade ao nosso planejamento. Vamos agir com firmeza para devolver os territórios do Rio aos seus verdadeiros donos, independentemente da região da cidade. Sei que não vamos conseguir acabar com tráfico de drogas, o nosso objetivo é dar um fim ao domínio do fuzil afirmou o secretário de Segurança Pública.

Atualmente, 100 comunidades já estão mapeadas pela Secretaria de Segurança. Três mil e trezentos policiais militares serão formados ao longo deste ano e todos eles serão deslocados para UPPs.

Não descarto que grande parte desse efetivo possa ser destinado para instalar duas ou três novas unidades no Complexo da Maré, por exemplo. Lá, existem várias comunidades e, talvez, fossem necessárias duas ou três UPPs. O projeto é longo, e o próximo governo poderá dar continuidade destacou Beltrame.

O secretário de Segurança Pública ressaltou que todos os levantamentos sobre a criminalidade foram realizados pelas polícias Militar e Civil, o que foi fundamental para definir quais localidades receberão as próximas UPPs. O projeto prevê a presença de um policial para cada 65 habitantes, independentemente da localidade.

A fuga de criminosos das comunidades pacificadas não parece preocupar o secretário de Segurança Pública.

A questão da retirada de criminosos é problema dos próprios bandidos. Se, mais na frente, a gente encontrar esses marginais, eles terão que respeitar a figura do estado, não importa a atitude que a polícia precise tomar frisou.

No entanto, Beltrame admitiu que o projeto de policiamento comunitário não é a solução para garantir a segurança no Rio.

Não pretendemos usar o projeto em todas as favelas, e isso também não é o remédio definitivo para os nossos problemas. Precisamos de mais policiamento também no asfalto.

Sede da nova UPP

Durante o tempo em que esteve na Ladeira dos Tabajaras, Beltrame visitou o terreno onde será construída a sede da Unidade de Polícia Pacificadora.

O prédio ficará na Rua Euclides da Rocha, via que faz esquina com a Ladeira dos Tabajaras, e a inauguração está programada para o próximo dia 14, mesmo com as obras ainda não concluídas. O policiamento comunitário atenderá também aos moradores do Morro dos Cabritos. Aproximadamente 4 mil pessoas vivem nas duas localidades ocupadas.

A nova UPP ficará ao lado da Creche Tia Sônia Crispiniano, onde, no último mês de maio, policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), localizaram 300 quilos de maconha prensada escondidos sob o telhado do centro educacional.

Não queremos que a escolha do local seja uma forma de resposta ao tráfico ressaltou Beltrame.

Enquanto a Secretaria de Segurança acerta detalhes e descobre a quem pertence o terreno onde será erguida a sede, policiais militares montaram uma base operacional dentro de contêineres instalados na Rua Euclides da Rocha.

Moradores

do Tabajaras aprovam ação dos policiais

Os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) encontraram boa receptividade entre os moradores após a ocupação na Ladeira dos Tabajaras e no Morro dos Cabritos, iniciada em 26 de dezembro.

Na tarde desta terça-feira, agentes do Bope e moradores foram flagrados pelo JB conversando, em um clima bastante amistoso.

Antigamente, a gente vivia de casa para o trabalho e do trabalho para casa lembra o guardião de piscina Leandro Rodrigues, 28, com o sobrinho Luis Gustavo, 1, no colo. Hoje, o astral é muito mais leve e feliz. Eu nasci e fui criado aqui e presenciei uma série de guerras onde tive que dormir na casa de parentes, porque não podia voltar para o morro.

Desde o início das ações do Bope nas duas comunidades, somente 300 munições e uma granada foram apreendidas na mata da favela e com a ajuda de cães farejadores, o que não preocupa a futura comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), a capitã Rosana Alves.

A comunidade está sendo muito receptiva. Já fui até aplaudida pelos moradores da favela. Sei que novos desafios vão aparecer, mas estamos preparados para o que ainda está por vir destacou.

Moradora há 11 anos, a dona de casa Solange Mendes, 32, é outra que aprova a ação.

A subida do morro sempre foi tomada por drogados e homens armados. Estou muito feliz com tudo isso.