Duzentas maneiras de vestir bem

Iesa Rodrigues, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A partir desta sexta-feira, a cidade concentra lançamentos de mais de 200 coleções em dois grandes eventos, cada um dividido em duas partes. Tanto o Fashion Rio, dirigido por Paulo Borges e equipe da empresa Luminosidade, como o Fashion Business, liderado por Eloysa Simão e a equipe da Dupla Assessoria, integram também salões de negócios, o Rio-à-Porter e o Fashion Business Tech, respectivamente. Festas marcam a semana em lugares emblemáticos, como o Morro da Urca, onde desfilam nesta sexta-feira os maiôs da Vix, marca brasileira sediada na Califórnia, ou no Píer, nesta quinta-feira à noite, com direito a show de Gilberto Gil.

Em matéria de desfiles, 28 grifes mostram coleções no Fashion Rio e cerca de 15, entre conceituais, como da Santa Ephigênia, na Casa Julieta de Serpa ou de Patricia Viera, no Copacabana Palace e mais comerciais, na tenda Ipanema, na Marina da Glória.

Duas instituições importantes estão por trás dos eventos, a Firjan (Fashion Rio) e a Fecomércio (Fashion Business). Elas são responsáveis não só pelos custos como pelos convites feitos a compradores nacionais e internacionais. São esperados mais de 400, incluindo representantes da Bugatti, multimarcas mais luxuosa do Oriente Médio, além de profissionais de imprensa e blogueiros brasileiros e estrangeiros.

No Fashion Rio, a Olimpíada serve de tema geral, o que não significa que as novidades da moda tenham a ver com uniformes esportivos é um conceito, com reflexos nas diversas exposições e instalações distribuídas ao longo dos armazéns 4, 5 e 6. Nesta edição, serão ocupados armazéns diferentes dos espaços reformados do evento de junho de 2009, porque janeiro marca o auge da temporada de cruzeiros pela costa brasileira. Os navios ocupam justamente os primeiros galpões, próximos da entrada do Píer.

Já a 15ª edição do Fashion Business tem como tema o bem-estar. A parceria com a clínica Reabili pretende resultar em orientações sobre postura, ginástica laborial, e outros conselhos que devem aliviar o estresse de quem trabalha com moda.

Nas passarelas, o preto deve ser a cor predominante em peças com influência do rock ou de alfaiataria. Com pontos de luz, como definem os estilistas: golas ou punhos em laranja ou azulão, por exemplo. Nos conceitos, há desde os mares do norte (Escandinávia, Islândia) até referências na imigração européia. A ecologia será representada pelo trabalho de reciclagem da Taoolee, que vai mostrar bolsas em tecido feito a partir de garrafas Pet. Mas virão também novidades da África, principalmente de Angola, que começa a entrar no circuito da moda mundial e exibirá seus modelos em desfile.

Empresas do Rio são as

que mais crescem no Brasil

Na moda brasileira, as empresas que mais crescem são as do Rio de Janeiro, tanto no atacado como no varejo. Basta pensar em marcas como a Farm, Mr. Cat. Shop 126, Enjoy, Maria Filó, entre várias baseadas no estado. E a campeã de vendas no Fashion Business, que é a Botswana, do casal Paula e Rony Antunes. Ruben Filho, consultor da marca e de mais outras 10, ex-vendedor da Company, atribui o sucesso da Botswana ao empenho dos donos.

Chegam cedo, saem tarde do trabalho, respeitam tanto o cliente final como o lojista que compra no atacado justifica Ruben, que considera importante saber fazer o estilo básico, com um molho diferente. Em menos de um ano a Botswana pulou de 40 para 400 clientes no atacado. Tem 10 lojas próprias, sendo uma em São Paulo.

Paula viaja três vezes por ano, vai ao salão Prémiere Vision, em Paris. Depois que volta dessas viagens, sabe adequar a coleção às necessidades do consumo brasileiro, inclusive nos preços. Atualmente a fast fashion, composta de coleções rápidas e frequentes, virou a fórmula ideal, porque roupa é igual a alimento: perecível. Como pão no dia seguinte, está velho define o consultor.

Ruben Filho afirma que o luxo é um conceito que sobrevive no Brasil, desde que a um preço acessível, porque a brasileira gosta de roupa bacana, nova e com preço justo.

A situação mudou, desde os anos 1980. Naquela época, não havia TV a cabo, celular e outros gastos no orçamento, desejos de consumo presentes hoje. Parece que agora celular também tem coleção de inverno e de verão!

Consumidor compulsivo, que evita ter cartão de crédito, Ruben define os preços ideais de algumas peças de sucesso:

Calça jeans, no máximo R$ 200. Camiseta, em torno dos R$ 100. Camisa pólo masculina, até R$ 130.