Rio: Irregulares, chuveiros podem sair das praias

Flávio Dilascio e Urbano Erbiste, Jornal do Brasil

RIO - Instalados em centenas de pontos das areias da orla do Rio, os chuveirinhos já fazem parte da cultura carioca. Apesar de popular, o aparato é, na prática, mais um jeitinho brasileiro de se burlar a lei, já que de acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ), eles deveriam ser usados apenas para molhar a areia e baixar a temperatura local. Apesar disso, a própria prefeitura concede licença para a instalação dos chuveiros, cuja origem da água é duvidosa. Para evitar riscos, e manter a alegria dos cariocas, o Inea quer que, a partir de agora, a água seja tratada pela Cedae.

Chuveiro para uso humano só deve ser usado com água tratada, o que não ocorre na grande maioria dos chuveiros das praias cariocas, os quais retiram água doce de poços subterrâneos sem que passem por qualquer tipo de tratamento afirma o presidente do Inea-RJ, Luiz Firmino Martins Pereira, que diz ter outorgado o uso de água em apenas 20 pontos da orla carioca.

Encontro marcado

Para resolver esta situação, representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Inea e Cedae vão se reunir na próxima semana para debater a utilização dos chuveirinhos. O Inea quer condicionar a permanência dos equipamentos apenas após o tratamento da água.

Temos um conflito, que vou tentar resolver com o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz. Ou não vamos ter mais chuveirinhos, ou vamos passar a respeitar as regras destaca Firmino.

A bomba utilizada nos chuveiros também está na mira do Inea. Especialistas sugerem que eles podem ajudar a contaminar a água usada pelos banhistas. Os barraqueiros se defendem.

Compramos uma bomba nova para purificar a água. Tivemos, inclusive, uma palestra com a prefeitura, que nos ensinou o modo correto de utilização diz o barraqueiro Lorival Souza Ferreira, sócio de uma barraca na praia de Ipanema, dotada de chuveiro.