A cinco dias do Réveillon, irregularidade nas areias do Rio permanece

Fernanda Malta, Jornal do Brasil

RIO - A privatização do Réveillon pelos quiosques na orla de Copacabana, denunciada no Jornal do Brasil dia 17 de novembro, chegou às barracas da praia. Diante da demora da Secretaria de Ordem Pública (Seop), que ainda não finalizou a sindicância para investigar a denúncia, barraqueiros decidiram cercar seus territórios na orla da Princesinha do Mar, ainda sem a Operação Choque de Ordem, e vender o espaço. Nesta sexta-feira, a reportagem flagrou um deles, conhecido como Ed, oferecendo o cercamento da área por R$ 150. O convite garante à mesa fincada na areia, de plástico, um prosecco (nacional).

Instalado no Posto 5, em frente à Boate Help, Ed pouco se importa em ferir o Código de Posturas do Município e avisa: vai fechar a praia para pelo menos 600 convidados. O barraqueiro já vendeu 70 mesas (cada uma para quatro convidados) das 150 reservadas ao evento. Ao ser perguntado se também estava vendendo espaço no Réveillon, assim como os quiosques novos, o vendedor não se fez de rogado e chegou até a dar seu telefone para contato e eventuais 'reservas'.

Tá tendo muita procura porque daqui se vê todos os fogos, mas longe da multidão. Aqui o povo encontra o conforto. E olha que eu cobro pouco, tem gente aí pedindo meu salário pela festa disse Ed, sem esconder seu orgulho.

Segurança contra penetras

O barraqueiro contratou sete funcionários a fim de oferecer um serviço 'de primeira'. Entre eles, quatro seguranças, para evitar 'penetras' nas festas dos convivas e ajudar a cercar a área.

No dia 17 de novembro, o JB mostrou que pelo menos 18 quiosques da orla cobram R$ 400 por um lugar ao Sol - ou melhor dizendo, à Lua da noite do dia 31. A Seop prometeu instaurar sindicância para apurar a irregularidade. Mas, até hoje, nenhum quiosque foi contido, apesar de a ação ser apontada como irregular pela Lei Orgânica Municipal.