O Teatro é Municipal, mas a reforma veio da iniciativa particular

Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO - Fechado desde outubro do ano passado para receber uma grande reforma, o Teatro Municipal do Rio volta a abrir suas portas ao público no dia 27 de abril do ano que vem. Inaugurado em 1909, a mais tradicional casa de espetáculos da cidade apresentava diversos problemas estruturais que, segundo a administração da casa, e a Secretaria Estadual de Cultura, foram completamente sanados nos cerca de dois anos e meio de obras realizadas até a data prevista para reabertura. Para manter as características originais inspiradas na Ópera de Paris, foram investidos R$ 64 milhões. O dinheiro resultou de uma parceria entre os governos estadual e federal (através do Ministério da Cultura), além de oito empresas patrocinadoras.

Esta foi a quarta reforma do Teatro Municipal desde sua fundação. A primeira, em 1934, mudou a estrutura da sala de espetáculo, ampliando a boca de cena. Na década de 70, o Municipal passou pelo seu primeiro processo de restauração, ficando fechado por nove anos. Em 1980, a casa recebeu pequenos reparos, mas nada que se compare ao investimento atual.

Este momento está sendo muito honroso e emocionante. Nos últimos meses, vivemos de levantar recursos e orçamentos, além de acompanhar o dia a dia da obra. Procuramos fazer um trabalho mais delicado possível para preservar todas as estruturas do Teatro explica a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, para quem a obra só poderá ser concluída graças ao investimento na iniciativa privada. Investimos (o estado) R$ 5 milhões. O grosso dos recursos veio dos nossos patrocinadores.

Presidente da Fundação Teatro Municipal, a atriz Carla Camurati destaca que a obra foi acompanhada pelos órgãos de patrimônio federal e estadual, para evitar danos às peças tombadas.

As presenças do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Inepac (Instituto Estadual de Patrimônio Cultural) foram imprescindíveis, pois pedimos aprovação de todos os procedimentos relata.

Apesar de não ter havido grandes alterações aparentes, o Municipal trará novidades a partir de 2010. Para começar, o tradicional carpete vermelho do salão principal foi retirado para dar espaço a tacos de madeira.

O piso do Municipal tinha que mudar. O carpete, apesar de luxuoso, contribui negativamente para a acústica argumenta o diretor artístico da casa, Roberto Minczuk.

De acordo com o maestro e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira, a reforma vai tornar possível atender à programação de eventos.

Temos uma demanda enorme de espetáculos, uma média de quatro pedidos por dia e, agora, teremos como atender melhor a estas solicitações, embora ache que o Rio precisa de outra casa nos moldes do Municipal comenta Minczuk.

Outra novidade é a transferência da cabine de filmagens para o segundo andar, que, segundo os administradores, poluía o visual da plateia.

Esta cabine não existia originalmente, o que nos permite esta mudança explica a subsecretária estadual de Cultura, Bia Caiado.

Considerada arcaica por alguns, as estruturas do prédio que são de madeira foram mantidas após receberem um reforço estrutural de ferro sobre as caixas cênicas.