Estudo: mulher, poder e dinheiro atraem jovens para o tráfico

Portal Terra

RIO - Uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro (RJ) publicada nesta segunda-feira aponta que a busca por uma alternativa profissional lucrativa, a fuga de famílias violentas, para escapar de pais ou mães alcoolizados, e a atração pelo poder e pelas mulheres são algumas das causas que levam os jovens cariocas para o caminho do tráfico de drogas.

De acordo com o estudo Meninos do Rio: Jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas da Universidade Cândido Mendes e da Unicef, embora exista a associação imediata de tráfico e lucro, a atividade passa por uma "crise financeira". "No repertório das principais mudanças ocorridas no tráfico de drogas nos últimos anos, a redução dos rendimentos obtidos pela venda das drogas está na base de um dos consensos verificados".

A atração pelas mulheres é também uma das causas mais fortes apontadas pela pesquisa. "A informação mais repetida, confirmada, explicada e reassegurada - e ainda assim surpreendente e obscura - é a supremacia das armas para atrair mulheres, meninas bonitas, da favela, de fora e até de outra classe social", diz o estudo. Segundo os jovens entrevistados, as chamadas "Maria Fuzil" estariam sempre presentes na vida da boca de fumo, especialmente durantes os bailes funk.

A sensação de poder é outro chamariz para os adolescentes, que não precisam necessariamente morar na favela. De acordo com o estudo, a mãe de um jovem oriundo de um bairro de classe média, fora da favela, que um ano antes havia sido morto numa operação em favela, afirmou: "quando meu filho veio a se envolver, eu falava assim mesmo: gente, como pode, eu não moro na favela, eu não tenho contato com gente da favela. É a idade, é empolgação, é adrenalina, é um querer de um poder".

A pesquisa revelou ainda relatos de entrevistados sobre casos de violência policial. "Eles (os policiais) entram e acham que é tudo roubado, tem geladeira nova, acham que é roubada, se a geladeira tá cheia ´ah isso tá cheio demais´, colocam no chão e mijam em cima", conta uma mãe. De acordo com o estudo, os policiais precisam agir no sentido de reduzir o poder dos grupos armados nas favelas.

Durante nove meses de 2008, jovens moradores de favelas no Rio de Janeiro, estudantes, policiais, traficantes, jovens que conseguiram deixar o tráfico, e mães de adolescentes foram entrevistados para o estudo.