Rio: Livro ilustrado conta a história da Lagoa Rodrigo de Freitas

Fernanda Malta, Jornal do Brasil

RIO - De onde vem a inspiração? No caso dos organizadores do livro Lagoa Rodrigo de Freitas (Editora Andrea Jakobsson Estúdio), Augusto Ivan de Freitas Pinheiro e Eliane Canedo de Freitas Pinheiro, ela chegou pela janela. O casal, que há 15 anos mora em um apartamento com vista para o espelho d'água mais famoso da Zona Sul, decidiu contar sua história. Os aterros, a remoção das favelas, a evolução dos bairros do entorno e a desejada recuperação ambiental estão nas 288 páginas, que falam ainda da formação geológica e da ocupação pelos índios tamoios, há 500 anos.

Quando falamos em Lagoa, não se pode pensar no contorno atual, e sim como era antes. Às vezes, confundimos a Lagoa com o resto da paisagem, mas ela é ativa, convive e sobrevive no Rio há 500 anos, enquanto outras lagoas, da Barra da Tijuca, Bairro Peixoto, Camorim e Botafogo não resistiram. Ela é a mais poderosa. Tivemos a preocupação de manter a Lagoa viva, como fenômeno natural frisa Augusto Ivan, professor da PUC e ex-secretario municipal de Urbanismo.

As páginas trazem imagens contemporâneas, do fotógrafo Marco Terranova, ilustrações fotográficas raras, reproduções de pinturas do século 19, plantas e um mapa inédito que mostra o avanço dos aterros nos últimos 200 anos.

Dividida em três capítulos, a publicação tem texto de apresentação do jornalista Marcos Sá Correa, que revela um projeto abortado do arquiteto Lucio Costa, que pretendia construir um campus da Universidade Brasil (atual UFRJ) dentro d'água, suspenso por pilastras de concreto. O segundo capítulo, assinado por Eliane Canedo Pinheiro, apresenta o histórico da Lagoa sob a ótica ambiental. No terceiro, os urbanistas Augusto Ivan e Nina Maria Rabha explicam o desenvolvimento urbano no entorno.

Chamado de Lagoa de Sacopenapã, do Fagundes, do Freitas e, hoje, Lagoa Rodrigo de Freitas através dos tempos, o manancial foi fundamental para plantações de cana de açúcar e engenhos no início do século 19.

A Lagoa se torna definitivamente uma atração turística na cidade quando o rei dom João VI instala a Fábrica de Pólvora bem na beira da Lagoa. A ocupação urbana se deu, aliás, a partir de visitas turísticas ao Jardim Botânico e a consequência disso foi a elitização dos bairros da Zona Sul, que começou a se tornar uma área nobre conta Augusto Ivan.