Assim como Botafogo, bairro de São Cristovão é o novo eldorado do Rio

Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO - Bairro predominantemente industrial, mas de tradição vinda do tempo do Império, São Cristóvão é a bola da vez da especulação imobiliária carioca. Graças ao processo de revitalização por que a região passará nos próximos anos, a área vem ganhando novos prédios e condomínios de classe média e, de acordo com estudo da Concal Construtora, receberá 5 mil novas unidades residenciais nos próximos quatro anos, gerando R$ 700 milhões em negócios.

Os lançamentos farão com que São Cristóvão passe a abrigar mais 20 mil novos moradores, aumentando sua população para 88 mil.

A ideia é resgatar a tradição carioca e transformar a região em um condomínio. Depois de outros bairros terem recebido investimentos, chegou a vez de São Cristóvão afirma o arquiteto e urbanista José Conde Caldas, presidente da Concal Construtora, sócia mentora dos empreendimentos Quinta do Conde (a ser inaugurado em setembro de 2011) e Paço Real (funcionando desde agosto deste ano), ambos no entorno da Quinta da Boa Vista.

Dos nossos 240 apartamentos, só sete ainda não foram vendidos comenta o consultor imobiliário do Paço Real, Alexandre Ferreira. Esses novos condomínios têm sido abertos graças aos incentivos que o município vem dando nesse projeto de revitalizar São Cristóvão.

O Paço Real possui apartamentos de dois e três quartos, com preços variando entre R$ 190 mil e R$ 280 mil. O condomínio conta com área de lazer, salão de festas, piscina, salão de jogos e academia, ao melhor estilo Barra da Tijuca.

Fenômeno de vendas

A poucos metros dali, o Quinta do Conde que só será entregue aos moradores daqui a 21 meses já tem 80% dos seus 220 apartamentos vendidos a preços que variam entre R$ 194 mil a R$ 295 mil.

Aqui no Quinta do Conde temos uma localização privilegiada, sem contar que a Quinta da Boa Vista é como se fosse o nosso quintal destaca o coordenador de vendas das construtoras MDL e Concal, Jorge Luiz da Silva Pinto.

Um desses novos moradores do bairro é o representante comercial Nilson Almeida Nascimento, de 57 anos. Ele está desde outubro no condomínio Quinta Imperial, na Rua Almirante Baltazar.

Morava em Vila Isabel e cheguei a ficar na dúvida se compraria apartamento aqui ou em Jacarepaguá. Escolhi aqui porque é mais próximo do meu trabalho e essa história de revitalização me motivou diz Nilson, que conta que um amigo também se encantou pelos novos ares de São Cristóvão.

Ele mora na Região dos Lagos e resolveu comprar três apartamentos para investir diz.

As novas construções não se resumem ao entorno da Quinta da Boa Vista. Na Rua São Luiz Gonzaga, uma das mais movimentadas do bairro, está para ser inaugurado, até dezembro de 2011, o condomínio Mais São Cristóvão, que tem apartamentos avaliados entre R$ 150 mil e R$ 180 mil.

Estou gostando desses novos investimentos porque valorizam o nosso bairro, podendo melhorar o comércio e, com isso, criar novos empregos ressalta o vigia Antônio Ramos, morador antigo da Rua São Luiz Gonzaga.

Dono de uma pequena venda na mesma rua, Carlos Lopes, de 47 anos, espera faturar mais com os novos vizinhos.

Estou há 20 anos aqui e posso dizer que o nosso comércio não vive um momento bom. Acho que esses novos investimentos no bairro podem mudar o panorama diz ele, que sugere a construção, no futuro, de um shopping center e de uma loja de eletrodomésticos em São Cristóvão.

Preocupação com o trânsito

Doutor em Engenharia de Transportes, Fernando MacDowell defende que o crescimento em São Cristóvão seja ordenado para não afetar o trânsito.

Precisamos de um sistema de transportes que resista. Apresentei recentemente ao prefeito Eduardo Paes o projeto da Linha 5 do metrô, que seria feita nos moldes de aeromóvel (trem movido a ar) e ligaria o Santos Dumont ao Aeroporto Internacional. Essa linha desafogaria e muito o trânsito de São Cristóvão explica.

Em Botafogo, polêmica cerca novos investimentos

Apesar de não contar com um projeto específico da prefeitura no que diz respeito a investimentos em estrutura, Botafogo (Zona Sul) também vive um momento de intenso crescimento do setor imobiliário, que tem levantado novos prédios no lugar do casario antigo, antes característico no bairro.

Desde 2001, quando publicaram as Apacs (Áreas de Proteção do Ambiente Cultural) para a Zona Sul, Botafogo vem sendo alvo da especulação imobiliária, pois possuímos um grande casario antigo que não é tombado afirma a presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo, Regina Chiaradia, que não é a favor da derrubada de casas antigas.

Sou uma preservacionista por natureza. Esse bota-abaixo todo não pode acontecer, pois temos que preservar nossa história diz.

As principais mudanças de Botafogo têm acontecido com destaque em três locais: Rua da Passagem, Rua Assunção e Rua Visconde e Silva.

Só na Assunção, são oito prédios novos apenas no último ano, o que preocupa moradores do bairro com relação a um crescimento desordenado.

Acredito que o nosso comércio não vai suportar essa constante chegada de novos moradores afirma o contador Odilon Ribeiro, de 47 anos e 13 de Botafogo.

O bairro até que é bem servido de bancos e casas de saúde, mas no resto deixa a desejar completa a esposa de Odilon, a médica Christina Pereira, de 47 anos.