Polícia do Rio prende nove pessoas envolvidas com milícias em favela

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Considerada o berço das milícias no estado do Rio de Janeiro, a favela de Rio das Pedras, uma das mais pacíficas da cidade, foi alvo nesta terça-feira de uma ação policial com a participação de cerca de cem homens. A operação terminou com a prisão de nove pessoas envolvidas com milícias, em diversos bairros do Rio, como Jacarepaguá, Bangu, Barra da Tijuca e Realengo (todos na zona oeste).

A operação teve como objetivo cumprir pelo menos 20 mandados de prisão preventiva e 37 de busca e apreensão por envolvimento com milícias na favela, além de 20 outros mandados de prisão preventiva em um inquérito por formação de quadrilha.

Entre os presos está o presidente da associação de moradores de Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreti, o Beto Bomba, na casa de quem a polícia encontrou munição, três pistolas e um rifle calibre 22. Os policiais ainda apreenderam três radiotransmissores e vários documentos pertencentes à associação, além de dois carros e uma motocicleta. Foram bloqueadas ainda contas de oito CPFs diferentes de pessoas envolvidas com os grupos paramilitares.

O secretário de Segurança Pública, José Maria Beltrame, afirmou que a operação ainda não acabou e que a inteligência da polícia está atenta à possibilidade de que os traficantes venham a ocupar o espaço deixado pelos milicianos.

- Em primeiro lugar, temos que observar se isto vai acontecer. É uma possibilidade e eu mesmo não a descarto. Agora, temos é que ser vigilantes em relação a essa possibilidade e a Policia Militar continuar no acompanhamento das investigações. O que podemos fazer é continuar vigilantes e acompanhando a movimentação que ocorre nessas áreas.

A operação, desencadeada a partir de investigações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e evasão fiscal, foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco). Denominada de Rolling Stones, ela foi fruto de investigações que duraram oito meses.

Ainda estariam envolvidos com os grupos paramilitares um major da PM, um capitão reformado e vários policiais da ativa muitos dos quais conseguiram escapar, o que levanta a possibilidade de que tenha havido vazamento de informações sobre a operação.

A polícia acredita que o prédio da associação de moradores era usado como fachada para a cobrança de taxas de segurança de moradores e comerciantes. Lá também funcionaria o serviço conhecido como gatonet - uso de centrais clandestinas de TV por assinatura.

A operação desencadeada pela Draco contou com a colaboração da Corregedoria da PM e do Ministério Público estadual.