Juíza nega pedido de reconstituição do caso AfroReggae

Júlia Ribeiro , Portal Terra

BRASÍLIA - A defesa dos dois policiais militares envolvidos na morte de Evandro João da Silva, coordenador do grupo AfroReggae, ocorrida em 18 de outubro, pediu nesta terça-feira à juíza Ana Paula Barros, da auditoria da Justiça Militar, uma reconstituição completa do crime. A magistrada, porém, negou o pedido e disse que ainda não há necessidade para tal.

O capitão Dennys Leonard Nogueira Bizarro e o cabo Marcos de Oliveira Sales foram interrogados pela juíza entre as 16h e as 20h. Eles negaram que tenham visto o corpo de Evandro João da Silva porque estava escuro e disseram que retirar objetos furtados da rua é uma praxe e não constitui crime de furto.

O advogado Aroldo dos Anjos apresentou um requerimento pedindo acesso às gravações brutas feitas pelas câmeras da rua, justificando que a edição feita pelas emissoras de TV desfavorece os PMs.

Ele solicitou também uma análise no aparelho de GPS instalado na viatura em que estavam os dois acusados no dia do crime. Segundo ele, o equipamento está danificado e não aponta o real percurso feito pelos policiais.

"Eles são profissionais e profissionais cometem erros. Aquilo foi um equivoco, um mal entendido", afirmou o advogado. "Trata-se de uma falha humana, uma questão circunstancial."

Alguns familiares dos PMs compareceram à audiência e estavam muito emocionados. A mãe do capitão escreveu uma carta na qual ressalta as qualidades do filho: "(ele) manteve ótimas notas na Academia da Polícia Militar, formando-se entre os dez melhores alunos".

O melhor amigo de um dos policiais, que não quis se identificar, afirmou que sua maior preocupação não é que ele seja injustiçado, mas sim o tempo que ele deve ficar preso. Os dois são acusado de furto qualificado, prevaricação e crime de falsidade.