Armas de brinquedo são destruídas em frente à Candelária no Rio

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Cerca de 6.500 armas de brinquedo foram destruídas em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, no final da manhã de hoje (21), por representantes de várias comunidades assistidas pela Ação da Cidadania.

A manifestação simbólica marcou o repúdio do movimento à distribuição, como forma de doação, deste tipo de brinquedo a crianças já expostas a situações de risco no seu dia a dia, nas áreas periféricas da cidade.

Estas armas de brinquedo foram doadas nos últimos três anos pelo comércio e por pessoas da sociedade para o Natal das crianças carentes , disse Maria José Andrade, a coordenadora da Ação da Cidadania, criada há 17 anos pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Segundo ela, o movimento tem aproximadamente 900 comitês em comunidades carentes.

Os comitês dão assistência social a idosos, crianças e mulheres em comunidades onde é importante esta ação, situadas na zona oeste, na Baixada Fluminense e em outras áreas carentes da própria cidade do Rio. Não faz sentido dar de presente de Natal a estas crianças armas de brinquedo , explicou.

Inserida na campanha Natal sem Fome dos Sonhos , tradicional arrecadadora de livros e brinquedos para distribuição nos fins de ano, a iniciativa Arma não é Brinquedo pelo Direito à Infância sem Violência atraiu a atenção de quem passou pelo começo da Avenida Presidente Vargas.

Maria José estimou em 220 mil os brinquedos doados no ano passado para a campanha, dos quais algo como 5% são armas, em sua maioria pistolas de água.

Espalhado pelo chão da Praça Pio X, defronte à Igreja da Candelária, o arsenal de mentirinha foi pisoteado pelos representantes das comunidades beneficiadas pela Ação da Cidadania e seus destroços foram logo recolhidos por garis da Comlurb, a empresa municipal de limpeza urbana, para serem entregues a uma cooperativa de catadores de lixo reclicável.

A mesma área do evento foi palco da Chacina da Candelária, como ficou conhecido o episódio em que oito meninos de rua foram assassinados enquanto dormiam, por policiais, na noite de 23 de julho de 1993. No local, costumavam dormir mais de 70 menores, até o trágico ataque, de repercussão internacional.