Biblioteca Pública passará por revolução tecnológica

Flávia Salme, Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO - Fechada para obras desde dezembro do ano passado, a Biblioteca Estadual Celso Kelly citada em matéria sobre o mau estado das bibliotecas públicas do Rio na edição do último dia 30 de outubro do Jornal do Brasil tem de tudo para se tornar uma das mais modernas do país. Pelo menos é o que garante a Secretaria Estadual de Cultura, que apresentou com exclusividade ao JB o projeto final para a unidade, com previsão de entrega em dezembro de 2010 as obras começam neste mês.

Enquanto isso, funcionários trabalham diariamente para cuidar dos cerca de 120 mil títulos, que estão a mercê da poeira da Avenida Presidente Vargas e da umidade do Campo de Santana, há pelo menos 11 meses.

A biblioteca conhecida também como Biblioteca Pública Estadual passará por intensa reformulação nos próximos meses, o que a transformará, nas palavras da a superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria Estadual de Cultura, Vera Saboya, em um novo conceito de biblioteca moderna , contando com acervo digital disponível em 200 computadores.

O acervo será disponiblizado em vários novos suportes, entre eles, o digital. Teremos 200 computadores disponíveis para o uso do público, wi-fi, áudio-livros e 3 milhões de música em acervo digitalizado afirma Vera, que aponta que o novo sistema integrará todas as bibliotecas estaduais, além de lembrar que o empréstimo de livros passará a ser permitido.

O novo software permitirá que o catálogo fique online e que o acervo se comunique com os acervos de todas as bibliotecas públicas dos municípios que atendam ao protocolo. Este é um projeto que inclui todo o estado na nova Biblioteca Pública Estadual. Outra novidade é que grande parte do acervo estará disponível para o empréstimo domiciliar.

A superintendente espera também que a nova Biblioteca Celso Kelly seja um grande motor divulgador de novas obras , com espaço dedicado especialmente para isso, e que as atividades não se restrinjam apenas à literatura.

Se, até então, as atividades com crianças e jovens dentro de uma biblioteca se restringiam a leitura, jogos e histórias contadas, a nova biblioteca incluirá a música, as artes plásticas, o teatro, a expressão corporal e atividades ligadas à natureza informa Vera Saboya.

O maior desafio durante os 13 meses de obra, entretanto, será manter intacto o acervo de cerca de 120 mil títulos, no qual se destaca a coleção Rio de Janeiro, voltada para a memória histórica e literária do estado e da cidade.

A poeira da Presidente Vargas, a umidade do Campo de Santana, somados às condições precárias da biblioteca, são motivo de grande preocupação. Por isso, enquanto as obras não são iniciadas, uma equipe de bibliotecários está trabalhando na catalogação de novas obras, na higienização e tratamento do acervo. Através de uma cooperação técnica com a Datacoop, nossa coleção de obras raras estará recebendo uma higienização, acondicionamento e armazenamento utilizando os padrões nacionais e internacionais de preservação informa subsecretária estadual de Cultura, Olga Esteves Campista.