Rio terá mais de R$ 100 milhões para obras na Zona Portuária

Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Considerada a menina dos olhos do prefeito Eduardo Paes, as obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro começam a mexer nos cofres públicos mais do que o previsto inicialmente. Nesta quinta-feira, o prefeito informou que será necessário investir mais R$ 100 milhões no projeto, cujo orçamento inicial era de R$ 200 milhões. O aumento de 50% no valor dos gastos servirá para o cumprimento das obras nas áreas de urbanização, habitação e interesse social. A fase inicial do Projeto Porto Maravilha prevê a revitalização completa da Praça e do Píer Mauá, a demolição da alça de subida do viaduto da Perimetral, a reurbanização do Morro da Conceição, a reforma do calçamento e da iluminação pública da região, além de obras para drenagem e a arborização das avenidas Barão de Tefé, Venezuela e Rodrigues Alves. A previsão é de que um milhão de metros quadrados seja totalmente reurbanizado.

Obras começam em dezembro

Nesta quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes participou do seminário O Resgate da Zona Portuária do Rio. Ele prometeu que as obras do projeto ainda não iniciadas, como as do Píer e da Praça Mauá, vão sair do papel até dezembro. A intenção, segundo Paes, é implantar novas redes de esgotamento sanitário, água potável, energia elétrica, iluminação e gás.

Após a recente polêmica envolvendo os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), que não aceitaram a transferência das instalações para a imprensa da Barra da Tijuca para a Zona Portuária, Eduardo Paes afirmou que ainda serão feitas novas mudanças no projeto até a realização dos Jogos. Para a Olimpíada de 2016, segundo ele, o Rio poderá ter mais de um centro de mídia.

O dossiê não é detalhado. A proposta aprovada pelo COI possui requisitos mínimos, mas não existe nenhum projeto concluído para essa questão. Tudo vai ter que ser discutido, especialmente os benefícios para cidade. Ninguém vai fazer um centro de mídia por amor ao país. Essas construções são feitas de acordo com o legado que ela poderá trazer para os anfitriões.

Paes reafirmou o desejo de fazer com que o Rio de Janeiro siga o exemplo da cidade de Barcelona, na Espanha, quando os Jogos Olímpicos de 1992 foram fundamentais para a reestruturação do local.

O que vou fazer sempre é avaliar e reavaliar absolutamente tudo. Se for para trazer mais benefícios para cidade vamos debater o tempo todo. O prefeito vai provocar sempre o processo de debate sobre cada investimento que será feito. Isso é obrigação nossa.

Prefeitura corre atrás de investidores financeiros

Finalizar as contratações de duas empresas, sendo uma instituição financeira e outra assessoria jurídica, é a prioridade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico para dar continuidade ao projeto de revitalização da Zona Portuária. A segunda fase das obras, prevista para começar no segundo semestre de 2010, está sendo encarada como uma inovação para a cidade. Pela primeira vez, uma construção será feita por intermédio de uma operação urbana consorciada.

A lógica é basicamente uma só: nós vamos vender potencial construtivo e todo o recurso arrecadado será 100% aplicado na região destacou o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Felipe Góes. As empresas privadas devem ajudar nesse processo de crescimento do Centro do Rio.

Ao todo, R$ 3 bilhões provenientes da iniciativa privada vão ser investidos na área de 490 hectares que compõem a Zona Portuária. A contratação dessas duas empresas pela secretaria de Desenvolvimento Econômico é o que vai permitir à prefeitura do Rio registrar junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os títulos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs).