Beltrame diz que Rio de Janeiro não é uma cidade violenta

Flávia Salme, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para o secretário de Segurança Pública do Rio, o estado fluminense não é violento. Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta terça-feira, José Mariano Beltrame afirmou que em algumas áreas o índice de criminalidade no Rio pode ser comparado ao de países europeus. O problema, segundo ele, está restrito a determinadas regiões.

O Rio de Janeiro tem núcleos de violência. Temos índices de criminalidade em determinadas áreas do Rio de Janeiro que são europeus afirmou o secretário.

Beltrame também cobrou do governo federal tratamento diferenciado nos programas de segurança desenvolvidos para a capital carioca:

O Rio de Janeiro é diferente. Onde temos facção criminosa com ideologia de facção? Onde tem um grupo de pessoas fortemente armadas com armas e munições exclusivas de Forças Armadas? Onde tem lugares onde a polícia não quer ir, onde há limite territorial? Os senhores sabem disso porque têm que pedir licença ou pagar pedágio para divulgar o seu trabalho. Aonde nós temos isso? Em Porto Alegre, em Curitiba, em Manaus ou em Buenos Aires? Não, só no Rio.

Diante dos parlamentares, Beltrame aproveitou para pedir que que a formação de milícias seja tipificada como crime no Brasil. O secretário lembrou que há cerca de 300 pessoas presas no estado pela prática dessa ação criminosa. Apesar disso, de acordo com Beltrame, a Justiça enquadra pessoas ligadas a grupos paramilitares em outros tipos de crimes.

Pela legislação em vigor, essas pessoas são enquadradas em formação de quadrilha, desvio de conduta, entre outros reclamou.

Burocracia atrapalha

O secretário de Segurança Pública do Rio aproveitou a audiência da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados para reclamar da burocracia e da demora que atrapalham a compra de equipamentos e armamentos que, segundo ele, deixa a polícia do estado em situação de desigualdade com os bandidos. Como exemplo, Beltrame criticou a demora para a aquisição de gás pimenta pela Polícia Militar fluminense, que pode levar até oito meses. No encontro, os parlamentares discutiram a aplicação de R$ 450 milhões do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) no estado e a ação da Polícia Pacificadora, as chamadas UPPs.

Ações duradouras

O secretário também comentou sobre a política de segurança que está sendo desenvolvida para receber a Olimpíada de 2016. Ao tratar do assunto, Beltrame defendeu melhores salários para os policiais, alegando que é preciso tornar a carreira mais atrativa. Segundo ele, é preciso criar condições de segurança que possam ser mantidas após os Jogos Olímpicos.

A gente não quer causar um efeito de segurança nas pessoas por quinze, vinte dias e depois fica tudo como está. Mas precisamos de estrutura, não são ações pirotécnicas, não argumentou.

Para o sociólogo Ignácio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a declaração do secretário José Mariano Beltrame foi inadequada.

Ele foi infeliz. Ao dizer que o Rio não é violento, parece que não quer reconhecer a gravidade do problema. Isso é ruim. Ter áreas calmas no Rio é mais a exceção do que a regra. Temos áreas que parecem a Europa e outras muito semelhantes à Faixa de Gaza.