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Vizinhos da Marina da Glória reclamam de poluição sonora

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Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Área valorizada pela localização e pela bela paisagem da Baía de Guanabara e do Aterro do Flamengo, a vizinhança da Marina da Glória vem sofrendo, há pelo menos dois anos, com um problema crônico na opinião dos moradores: o excesso de barulho. A administração da Marina, sede de vários tipos de eventos noturnos, é acusada por lideranças da região de exceder os decibéis permitidos para aquela área entre 50 e 65 o que prejudica o sono dos moradores, que sofrem com a música alta vinda das caixas de som.

Após receber diversas reclamações principalmente de síndicos de prédios do bairro o presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Glória (Amaglória), Mauro Vidal, agendou para esta quarta-feira à tarde um encontro com o secretário municipal da Ordem Pública, Rodrigo Bethlem. Em pauta, a solicitação de fiscalização do excesso de ruído proveniente da Marina da Glória.

Outro dia, teve uma festa aqui que me deu até desinteria. O barulho realmente é muito forte. É como se fosse dentro das nossas casas, mesmo com as janelas fechadas. Isso sem contar quando tem rave, que só termina de manhã. Não só eu como várias pessoas daqui não temos conseguido dormir nesses dias afirma Vidal, que, além de presidente da Amaglória, é síndico do edifício Nossa Senhora do Outeiro, na Rua do Russel.

Ele mora no prédio há 34 anos e diz que os problemas do barulho vindos da Marina começaram há dois anos.

Quando se iniciou essa onda de barulho, procurei a administração da Marina e eles me disseram para ligar para o segurança quando estivesse muito alto. Isso não adiantou nada conta Vidal.

Mudança no palco

Vizinho dele, o locutor Demétrio Costa que já trabalhou em vários eventos na Marina da Glória aponta a mudança na posição do palco como possível causadora do distúrbio sonoro.

Na época em que trabalhei na Marina, disseram que iam rever o problema do som, mas até agora nada. Quando o palco era virado para a praia, não tínhamos tanto problema opina Demétrio, que tem 69 anos e é acordado com o barulho, que aumentaria por volta das 2h durante as festas.

Morador da Glória, o advogado Paulo Afonso Hernandez, de 36 anos, diz que já acionou a polícia, mas não houve jeito.

Já liguei para a PM denunciando o barulho e, infelizmente, não surtiu resultado relata.

Espaço pode ser multado e até interditado

Responsável pelo controle de emissão sonora da cidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirma que só poderá tomar alguma medida assim que um fiscal for aos locais afetados e aferir, por meio de um aparelho eletrônico, a quantidade de decibéis emitidos pela música das festas na Marina da Glória. Para isso, representantes do bairro devem procurar a secretaria e formalizar a reclamação. Já se sabe, no entanto, o que pode acontecer com a Marina, caso comprovem o desrespeito à lei.

Primeiramente, temos que avaliar o nível de ruído produzido. Comprovado o excesso de decibéis, a Marina, primeiramente, poderá ser advertida judicialmente. Persistindo o problema, ela terá de pagar multas de R$ 200 a R$ 2 mil, e, não havendo mudanças, pode ser pedida a interdição do local destaca a coordenadora de fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Elaine Barbosa.

Apesar de saber de forma informal do problema da vizinhança da Marina, Elaine explica que a secretaria nunca se manifestou a respeito do tema, pois privilegia ações em áreas consideradas mais problemáticas na questão da poluição sonora, como Copacabana, Tijuca e Barra da Tijuca.

Sobre a questão da mudança da posição do palco da Marina, ela diz não acreditar que isso seja o causador do problema.

Não temos uma convicção de que, se virarmos o palco para o mar, diminuiremos o ruído. Acredito que haja apenas uma modificação pequena nos decibéis, algo que não melhorará muito a vida dos moradores. Contudo, um estudo deve ser feito para definir isso ressalta.

Marina não se manifesta

Comprada no final de setembro pelo grupo EBX, do empresário Eike Batista, a Marina da Glória até então administrada pela Empresa Brasileira de Terraplenagem e Engenharia não se manifestou a respeito do assunto. Procurado pelo Jornal do Brasil, o diretor administrativo da Marina, Sérgio Meirelles, não atendeu à solicitação de entrevista.