Manifestantes protestam contra violência e mortes em favela no Rio

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Segurando 20 cruzes brancas de madeira, crianças percorreram nesta segunda-feira as vielas da favela Mandela de Pedra, no Complexo de Manguinhos, em protesto contra a violência na região. Uma das últimas vítimas dos confrontos foi o adolescente Rafael Rocha Ribeiro, 15 anos, morto por uma bala perdida no dia 28 de outubro.

A manifestação foi organizada pela organização não governamental Rio de Paz, que denuncia o excesso de mortes no estado como resultado da política de segurança do governo. Segundo os números apresentados pela organização, foram 20 mil mortes violentas em mil dias, entre janeiro de 2007 e setembro de 2009, uma média de 20 assassinatos por dia.

Habituado a fazer protestos na zona sul da cidade, o presidente da organização, Antônio Carlos Costa, ressaltou que esta é a primeira vez que a manifestação é realizada dentro de uma favela.

- É o asfalto fazendo ponte com a favela, a fim de que nós - que vivemos com padrão de vida europeu - passemos a chorar junto com esse povo. Estamos aqui para dar voz a quem não tem. Pois essas pessoas estão enterrando parentes assassinados e não têm a quem recorrer - disse Costa.

Indignado com as condições da comunidade, uma das mais pobres do Rio, onde o esgoto corre a céu aberto e nuvens de mosquitos se proliferam em água parada, Costa criticou a decisão de se investir bilhões de reais em uma Olimpíada, enquanto milhares de pessoas vivem em total pobreza.

- Como nós podemos, em pleno século 21, na cidade que vai ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016, vermos pessoas vivendo em padrão de vida africano? - questionou.

Para ele, além de se investir em educação, saúde e infraestrutura para melhorar a vida das comunidades, é preciso reformar a política de segurança do governo do estado, centrada no confronto como forma de reduzir a criminalidade.

- A solução para a polícia envolve três ´S´: maior salário, melhor seleção e mais supervisão. Porque ela é parte da solução, mas também é parte do problema. Não adianta só aumentar o número de policiais, se não tivermos uma outra mentalidade - afirmou.

Angélica Gomes da Rocha, mãe do jovem Rafael, que foi morto a poucos metros da porta de casa durante um tiroteio entre polícia e traficantes, disse que gostaria de sair da comunidade.

- Nós queremos uma solução, para dar um basta nisso. Eu queria sair daqui com o meu filho vivo, mas como ele não está presente, pretendo sair com os outros três, que querem ter o direito de ir à escola e ao futebol, e depois voltar para casa - desabafou.