Quantidade de cremações aumentou 234% no Rio, de 2000 a 2008

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Hoje, enquanto multidões vão aos cemitérios homenagear seus finados, muitas pessoas estarão fazendo o mesmo em praias, rios e jardins; lugares onde espalharam as cinzas de parentes e amigos. Há poucos anos, eram raros os que deixavam registrada a vontade de ter o corpo cremado. Segundo informação da Coordenadoria de Controle de Cemitérios e Serviços Funerários órgão da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (SMO) houve um aumento de 234% nas cremações de 2000 a 2008.

Há nove anos, foram feitas 825 cremações (753 corpos e 72 partes do corpos). No ano passado, o número chegou a 2.366 (1.538 corpos e 828 partes). Em 2009, elas já somam 2.234 (1426 corpos e 808 partes).

A cremação hoje está muito difícil conta o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Rio de Janeiro (Seferj), Antônio Lopes de Amorim. Só há fornos crematórios no Rio e em Niterói. Se a pessoa morre em outras cidades, trazem os corpos para cá. Tem que ficar na fila e o corpo precisa ir para a geladeira, o que custa uns R$ 150 por dia.

A administradora do Crematório da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Luci Schaefer, concorda com a análise de que o aumento da procura por este serviço funerário tem criado dificuldades. Diz que são realizadas cerca de 160 cremações por mês, uma média de cinco por dia.

Esse crematório tem 15 anos de funcionamento. Acho que já devia ter sido construído outro opina Luci Schaefer. Até para consertar é complicado. Aumentou muito a procura. E a propaganda nem existe; imagina se tivesse. Acho que o futuro é o crematório.

Novo forno é analisado

Recentemente, a Coordenadoria de Controle de Cemitérios e Serviços Funerários submeteu a análise o licenciamento ambiental e mecânico de um novo crematório permissionário (particular), corroborando a ideia de Luci Schaefer.

Antonio Lopes de Amorim acha que isso acontecerá porque os lugares disponíveis nos cemitérios estão cada vez mais raros.

Tem crescido a procura por cremação, mas o povo ainda é apegado às coisas antigas analisa Amorim. Não tem o hábito, e a cremação ainda é pouco divulgada. A saída para o serviço funerário é esta. A maioria dos cemitérios está chegando à capacidade total; têm mais de 100 anos e a população triplicou.

O serviço de cremação, segundo Amorim, custa cerca de R$ 800, fora a compra de caixão, flores e outros itens. Ele conta que apesar da grande procura, o tempo de espera é de, no máximo, dois dias. Alerta, porém, para a necessidade de registrar a vontade de ter o corpo cremado em cartório.

A pessoa que desejar ser cremada deve fazer uma declaração pública manifestando essa vontade, registrada em cartório explica Amorim. Isso, porque, às vezes, até querem, mas os filhos não. Porém, se for fé publica, não tem jeito. A não ser que os filhos, todos, forem ao cartório afirmando que era a vontade do pai ou mãe.

Igreja Católica proibia cremação de corpos até 1963

Muito da resistência que existe contra a cremação tem origem em preceitos religiosos. Uma grande quantidade de pessoas têm o desejo de usar o serviço funerário, mas não o leva adiante por achar que iria contrariar sua religião. Segundo o padre Sérgio Costa Couto, a Igreja Católica não aceitava a cremação até 1963, devido à crença na ressurreição dos corpos. Nos séculos XVIII e XIX, o racionalismo e a maçonaria, para combater dogmas cristãos, como a ressurreição e a imortalidade da alma, passaram a pregar e a praticar a cremação. Por causa dessas idéias, a Igreja Católica, na época, proibiu aos cristãos a cremação.

A inumação é mais tradicional. Não há problema em cremar, mas o motivo, como várias vezes afirmado, não pode ser anticristão afirma o padre. Algumas conferências episcopais têm se manifestado contra as dispersão das cinzas. Acrescento que hoje existe, inclusive, um ritual adaptado para estas ocasiões.

A lei judaica não somente proíbe expressamente a cremação, como se pronuncia a favor de um enterro simples, diretamente no chão. Segundo seus preceitos, com a morte, a alma passa por uma dolorosa separação do corpo, processo ocorrido com a decomposição do corpo. Quando ele é enterrado, desfaz-se lentamente, confortando a alma que está se libertando.

O presidente da Federação Brasileira de Umbanda, Manoel Alves de Souza, não vê inconvenientes na cremação.

Nossa religião é a da reencarnação. Somos, na verdade, espírito. A matéria, depois da passagem, pode ser consumida no fogo. Não vemos nenhum inconveniente nisso. O espírito, depois que se desprende da carne, segue outros caminhos. Não temos nenhuma espécie de restrição ressalta.

Cemitérios abertos até o último adeus

Em razão do Dia de Finados, alguns dos principais cemitérios do Rio de Janeiro abrirão suas portas mais cedo, às 6h, e fecharão somente após a saída do visitante. A medida foi adotada no São João Batista, em Botafogo (Zona Sul), do Murundu, em Realengo, e do Pechincha, em Jacarepaguá (Zona Oeste), de Irajá e do Cacuia, na Ilha do Governador (Zona Norte).

Maior cemitério do Rio, o São Francisco Xavier, no Caju (Zona Norte), mantém o portão principal permanentemente aberto. Ele terá um esquema especial de trânsito, com a Rua Monsenhor Manuel Gomes em mão única no sentido da Avenida Brasil à Rua General Sampaio, das 5h às 15h, além de estacionamento rotativo no lado direito da calçada.

A ideia da alteração do tráfego no Caju é facilitar o acesso ao São Francisco Xavier e a mais três cemitérios: Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, São Francisco da Penha e Comunal Israelita.

O movimento dos ônibus na Rodoviária Novo Rio também será facilitado com interdição a carros de passeio na Rua Cordeiro da Graça das 15h de hoje às 12h de amanhã.

O Metrô funciona das 7h às 23h e os trens de 4h39 a 20h31, com intervalos de 40 minutos nos ramais Santa Cruz e Japeri, 60 no Saracuruna e 90 no Belford Roxo. Já as barcas funcionarão com intervalos de 30 minutos entre Rio e Niterói.

A Polícia Rodoviária Federal trabalha com 700 agentes até a meia-noite de hoje, enquanto a Polícia Militar patrulha as rotas turísticas do estado das 16h de sexta até às 15h de hoje, com 196 homens.