Ensino à distância: a moda pegou

Nara Boechat , Jornal do Brasil

RIO - Mais procurada por pessoas já formadas que buscam aperfeiçoar a qualificação profissional, a educação à distância é a modalidade que mais tem crescido no ensino superior brasileiro. De 2004 a 2008, o aumento foi de 1.175%. Pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC) mostrou, este ano, que os alunos desta modalidade tiraram as mesmas notas no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) quando comparados aos dos cursos presenciais. Nas chamadas aulas virtuais, o ensino é feito com a ajuda de tecnologias como a internet.

No Rio, o método é oferecido em diversas faculdades, públicas e privadas e, com o avanço da tecnologia, a adesão está cada vez maior. Algumas instituições, por exemplo, já trabalhavam com este serviço antes da internet, utilizando os Correios para o envio das apostilas de estudos. Mas segundo especialistas, a interatividade entre aluno e professor era prejudicada.

A grande dificuldade, naquela época, era o contato com os professores. A internet promoveu a interatividade diz a coordenadora do Núcleo de Educação à Distância da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Ilene Figueiredo Pessoa.

Além da falta de interatividade, os custos para a promoção do ensino à distância também eram bem maiores, embora o sistema de aprendizagem seja hoje muito semelhante ao de dez anos atrás.

As aulas eram feitas através de videoconferências, com interação de turmas em diversos lugares. Só que, naquele tempo, o custo disso chegava a US$ 1 milhão relata o coordenador do programa online da Fundação Getúlio Vargas, Stravos Xanthopoylos.

Segundo ele, apenas neste ano, as lições virtuais da FGV foram acessadas por cerca de 1,3 milhão de pessoas. O número, afirma, é a prova de que a internet pode ser uma grande arma para a democratização do ensino no país.

Não concordo com o termo educação à distância, pois a internet aproxima e não afasta. É diferente de correspondência argumenta Stravos, que não acredita na substituição do ensino presencial pelo novo método. Lógico que existem elementos que devem ser revistos.

Sucesso depende do aluno

O professor de informática Rafael Freitas, de 29 anos, passa a maior parte do tempo preparando e ministrando suas aulas. Para continuar os estudos, ele optou pela graduação virtual em Processos Gerenciais, da FGV, que dura quatro anos.

O conteúdo está todo no site, à disposição. O aluno faz o próprio horário avalia Rafael, que já tem uma faculdade no currículo.

Para Ilene Figueiredo Pessoa, a procura pelas aulas não presenciais é maior entre pessoas formadas ou que trabalham.

O perfil das turmas é de profissionais já inseridos no mercado e que utilizam o conhecimento adquirido no trabalho. É preciso ter disciplina para cursar as aulas virtuais esclarece a coordenadora da UVA.

Mas apesar do alto índice de pessoas formadas ou inseridas no mercado produtivo, as graduações virtuais atraem cada vez mais estudantes recém-chegados no ensino superior. A estudante Lívia Silva Brava, 20, cursa as aulas presenciais mas, pela comodidade, optou por fazer cinco matérias com a ajuda da internet.

O professor pode ensinar nos dois meios, depende apenas do aluno. Quem faz mesmo a aula render é o estudante.

Ferramenta de apoio

A doutora em educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Miriam Paúra, defende que a inserção do ensino no mundo tecnológico é um avanço que deve ser usado como um complemento para a aprendizagem.

A iniciativa atende a dimensão do nosso país, amplia oportunidades. Hoje, por exemplo, é possível fazer um curso fora do país sem sair de casa. Mas tem que andar em paralelo com o ensino presencial. Um não pode substituir o outro defende a educadora.