Para uma pesquisa população vai fiscalizar delegacias

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para avaliar o trabalho de 231 delegacias brasileiras, mais de 400 cidadãos comuns entram em campo a partir desta segunda-feira para fiscalizar o funcionamento de 231 unidades em nove regiões metropolitanas, incluindo a do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília. A 3ª Semana de Visitas a Delegacias de Polícia vai analisar a qualidade do serviço pelo ponto de vista dos seus usuários potenciais, e não dos agentes do governo, como geralmente acontece. A pesquisa é financiada pelo governo britânico e coordenada pela Altus, ONG sediada na Holanda que congrega instituições de cinco continentes e realiza projetos nas áreas de segurança pública e justiça criminal.

Até sexta-feira, delegacias de 19 países serão avaliadas na pesquisa. No Brasil, as visitas também serão realizadas nos estados de Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e Goiás. A organização é feita pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) em parceria com instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Cândido Mendes (UCAM); Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No país, é a terceira edição do projeto, que já foi realizado em 2006 e 2007.

Essas avaliações servirão como instrumentos para geração de políticas de gestão das delegacias. Em fevereiro ano que vem, seminários devem ser realizados com a participação dos delegados e demais autoridades da área de segurança para apresentação dos relatórios e propostas de ação explica a coordenadora do projeto, Ludmila Ribeiro, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes.

No Rio, mutirão de 70 pessoas

No estado do Rio de Janeiro, 42 Delegacias de Polícia serão visitadas na capital e na Região Metropolitana. O trabalho será feito por 70 moradores do estado. Nas delegacias, os 'fiscais' vão focar a pesquisa em cinco quesitos: orientações para a comunidade, condições materiais, tratamento igualitário e sem preconceito, transparência e prestação de contas, e condições de detenção.

Em média, cada delegacia é visitada por um grupo de até oito cidadãos. Os participantes preenchem questionários desenvolvidos por pesquisadores de vários países. Após cada visita, os entrevistadores atribuem notas de 1 a 5 correspondendo a uma escala (totalmente inadequado, inadequado, adequado, mais do que adequado e excelente) para cada um dos itens avaliados.

Após o resultado, as três unidades brasileiras mais bem avaliadas concorrem com outras da América Latina, para que seja escolhida a melhor da região. Ao final, será apontada a melhor do mundo, já que a pesquisa também será realizada em países como Estados Unidos, Índia, Nigéria e Uganda. Nas edições anteriores, o destaque ficou com a 23ª DP (Méier), apontada a melhor do Brasil em 2007.

O objetivo de permitir à população um melhor conhecimento sobre as polícias, mas também buscamos fortalecer as boas práticas policiais finaliza a pesquisadora Ludmila Ribeiro.