Em festa de Nossa Senhora da Penha arcebispo do Rio denuncia tráfico

Thiago Jansen, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Com a participação estimada de cinco mil pessoas, foram encerradas neste domingo as comemorações da 374º Festa de Nossa Senhora da Penha. As atividades começaram às 9h da manhã, com a realização da 3ª Corrida Rústica pelas ruas da Penha. Às 15h, Dom Orani João Tempesta saiu em procissão com a imagem de Nossa Senhora e, em seguida, realizou uma missa na Concha Acústica da Igreja da Nossa Senhora da Penha, onde fez votos de dias melhores para o Rio e afirmou que a Igreja está fazendo seu papel para levar paz às pessoas, referindo-se aos missionários da Missão Continental.

Durante a cerimônia, Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio, também realizou o lançamento da segunda etapa de preparação do 11º Plano de Pastoral de Conjunto e entregou a todos os Vigários Episcopais o material que direcionará os trabalhos desta segunda fase. Após a missa, o cantor Jerry Adriani, que é devoto de Nossa Senhora desde criança, encerrou com show musical as comemorações em homenagem à Virgem da Penha.

Organizadores da festa e guardas municipais que trabalharam próximos à igreja garantiram que o evento foi tranquilo. Segundo os agentes, não houve tumultos nem manifestações de traficantes que atuam na região. Apesar disso, alguns homens sem camisa foram vistos impedindo o acesso de carros às comunidades próximas à igreja.

Violência chega à igreja

O tiroteio da última sexta-feira entre policiais e bandidos da favela da Vila Cruzeiro, na Penha (Zona Norte), não foi suficiente para impedir a realização do evento. Entretanto, a violência dos últimos dias foi comentada por Dom Orani Tempesta, que confirmou que, na guerra contra a polícia, traficantes já invadiram espaços do Santuário da Penha.

Eles usam a torre para ver quem está chegando. Acontece em todo lugar, não só em igrejas. Faz parte dessa guerra urbana disse o arcebispo.

Embora não tenha atrapalhado a festa, a violência na região provocou uma queda no número fiéis. Eram esperadas 10 mil pessoas, mas segundo seguranças que trabalharam no evento, comparecessem cerca de 5 mil fiéis.

Esse ano a celebração está bem mais vazia. Ontem, enquanto distribuía revistas da igreja, várias pessoas falaram que não viriam por medo dos tiroteios confirmou a costureira Risomar Lima Ferreira, de 60 anos.

Entretanto, apesar do medo, algumas pessoas não se deixaram abalar e compareceram à homenagem à Nossa Senhora. Foi o caso da professora Tereza Cristina da Silva, 66, e de seu marido Robson Waldhen, 55.

Ficamos preocupados, mas nem por isso deixamos de vir. Acredito que esta festa é um meio de combater a violência e fazer campanha pela paz comenta Tereza Cristina.

O padre Serafim Fernandez, reitor do santuário da Penha há 12 anos, concorda.

Nada mais oportuno que esta festa para apelar à paz disse.