Palestra do Projeto Kanjur explicará textos da religião budista

Carlos Braga , Jornal do Brasil

RIO - Kanjur, na língua tibetana, significa as palavras preciosas do Buddha . Kanjur também dá nome à coleção de livros (109 volumes no total) que contêm os ensinamentos de Buddha, nas palavras que ele mesmo usou, há 2.500 anos. Quem quiser saber mais sobre estes livros e de sua importância para a religião budista pode participar do Projeto Kanjur Livros Sagrados para a Paz Mundial, que será realizado nesta terça-feira, a partir das 19h, no Instituto Nyingma do Rio de Janeiro. A palestrante convidada é considerada uma das mais profundas conhecedoras da história, religião e filosofia do budismo, Elizabeth Cook. Na apresentação será explicada a importância da reprodução dos livros no Brasil e o significado dos textos sagrados desta coleção.

As palavras de Buddha removem o medo e trazem a alegria para o espírito explica Elizabeth. Mostram a necessidade do ser humano caminhar na trilha do conhecimento, através da arte e da devoção. Atingir a compreensão de que se é um ser que faz parte da algo maior que ele mesmo.

Elizabeth Cook foi aluna direta do mestre Tarthang Tulku Rinpoche. Conheceu-o nos Estados Unidos, para onde ele foi depois da invasão do Tibete pela China, após um período na Índia. Um dos trabalhos a que Tarthang Tulku Rinpoche se dedicou no exílio era a tentativa de preservação dos textos com a palavra de Buddha.

Tarthang Tulku Rinpochea aceitou ser professor residente na universidade de Sarnath, na Índia. Enquanto ficou lá, começou a imprimir os textos em uma máquina rudimentar que lhe emprestaram. O material começou a ser levado do Tibete para a Índia pelos refugiados. Ele, porém, estava preocupado com a lentidão com que esse trabalho era feito.

A convite de americanos, Rinpochea foi para os EUA, onde fundou um centro de meditação e um instituto de ensino. Foi lá que Elizabeth o conheceu.

Ele foi para os EUA, em 1969. Em 1971 começou a lecionar. Para imprimir os textos, conseguiu uma máquina antiga e perigosa. Passavam mais tempo consertando o equipamento do que imprimindo. Era novata no instituto e uma das minhas tarefas era encontrar cópias do Kanjur. Comecei a entender como estes livros eram raros.

Elizabeth explica que, além de religião, o budismo é considerado um sofisticado sistema filosófico e ainda uma forma de viver.

Podemos usar roupas diferentes, mas compartilhamos a mesma natureza. Quando percebemos que o ser daqui é o mesmo que o dali, não há como fazer mal a ele.