PMs envolvidos no caso AfroReggae têm prisão decretada

Portal Terra

RIO - A Auditoria da Justiça Militar aceitou o pedido do Ministério Público do Estado e decretou, no final da tarde desta sexta-feira, a prisão preventiva dos policiais militares envolvidos no caso da morte do coordenador da ONG AfroReggae, Evandro João da Silva, assassinado na madrugada da última segunda-feira após um assalto no centro do Rio.

O MP-RJ, por intermédio da 1ª Promotoria de Auditoria da Justiça Militar, pediu, no início da tarde de hoje, a decretação de prisão preventiva do soldado Marcos de Oliveira Sales e do capitão Dennys Leonard Nogueira Bizarro, da Polícia Militar, alegando indícios de crime militar e "perplexidade" diante da conduta dos PMs.

Os dois PMs cumprem prisão administrativa no 13º Batalhão e devem ser encaminhados para o Batalhão Especial Prisional (BPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Os policiais são acusados de roubar pertences do coordenador da ONG, não terem socorrido a vítima e ainda terem liberado os suspeitos do crime.

Câmeras de segurança de lojas próximas ao local do assalto que vitimou o coordenador da AfroReggae registraram a presença de dois policiais militares, que chegaram a abordar os dois assaltantes, mas depois os liberaram, ficando em poder de um par de tênis e uma jaqueta de Evandro. As imagens também mostram que os PMs não prestaram socorro à vítima, que estava caída na calçada.

O pedido de prisão preventiva, segundo o MP, ressalta que as imagens gravadas indicam que os policiais abordaram dois indivíduos logo após o crime de latrocínio (roubo seguido de morte) e "sem qualquer razão liberaram estas pessoas, ficando com os pertences da vítima do delito".

O pedido de prisão preventiva também considera os "fortes" indícios de crime militar cometidos pelos policiais. "As condutas que são imputadas ao acusados causam extrema perplexidade, além de demonstrar o descaso e o desprezo com a vida humana. O fato, além de ferir os princípios da hierarquia e disciplina a que estão subordinados, ainda fere qualquer racionalidade e bom senso. Lamentavelmente tal prática incute na sociedade a ideia de que não estamos mais seguros nem mesmo ao lado da polícia", conclui o pedido de prisão.