Morte do coordenador do Afroreggae poderia ter sido evitada

João Pequeno, JB Online

RIO DE JANEIRO - O coordenador de projetos sociais do Afroreggae, Evandro João da Silva, pode ter agonizado sem socorro por até 50 minutos, após ser baleado ao reagir a um assalto na madrugada de domingo. Este foi o tempo que Anderson Elias dos Santos, de 27 anos, percussionista do grupo, levou para chegar ao local do crime, no Centro, após receber telefonema de um amigo de Evandro, avisando que ele fora baleado.

Conhecido no grupo pelo apelido de Dada, o músico fez o relato em pleno quartel-general da PM, onde o comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, recebeu o coordenador-executivo do Afroreggae, José Jr., e prometeu punir todos os envolvidos.

Temos que considerar todas as hipóteses. As investigações da Polícia Civil, com nosso apoio, vão chegar aos criminosos (que mataram Evandro durante o assalto e seguem foragidos). Já temos os policiais envolvidos disse o coronel.

Assim que chegou ao local do crime, Dada pôs as mãos na cabeça e no coração de Evandro, que sentiu ainda batendo.

Me ligaram dizendo que ele tinha sido baleado, não morto. Quando senti o coração dele pulsando, ainda tive esperança contou o músico.

Porém, segundo ele, o PM que preservava a cena do crime disse que era normal as pulsações continuarem, mesmo após a morte.

Segundo o cardiologista Ivan Cordovil de Oliveira, o coração pode manter estímulos após morte cerebral, mas isso só se capta com eletrocardiograma .

Baleado à 1h20, o corpo do coordenador do Afroreggae permaneceu na esquina das ruas do Carmo e do Ouvidor até 5h30, quando foi levado pelo rabecão do Instituto Médico-Legal (IML). Não houve atendimento de ambulância do Corpo de Bombeiros.

Dada disse não lembrar qual PM guardava o corpo do amigo, mas afirmou que não era o cabo Marcos de Oliveira Salles nem o capitão Denis Leonard Nogueira Bizarro flagrados por câmeras de segurança com tênis e jaqueta roubados de Evandro após o latrocínio.

Nesta sexta-feira, a juíza Ieda Cristina Assunção, da Auditoria Militar, decretou a prisão preventiva dos dois PMs, suspeitos de liberar os dois ladrões que mataram Evandro, após ficarem com o produto do roubo as câmeras também mostram um dos assaltantes deixando o local após a abordagem dos policiais. Nos últimos três dias, Salles e Bizarro cumpriram prisão administrativa. Pelo menos outros dois policiais que passaram pelo local também poderão ser investigados por omissão.