Rio: parecia o Iraque, diz moradora sobre confronto em morro

Andrea Bruxellas, Portal Terra

RIO - A rotina no morro dos Macacos, no Rio de Janeiro ainda está longe do normal. O saldo de 21 pessoas mortas resultante do conflito entre traficantes de facções rivais e a polícia no último sábado aterroriza os moradores de Vila Isabel, na zona norte do Rio.

- Isso aqui parecia o Iraque. Moro no morro dos Macacos há 35 anos e nunca tinha visto nada parecido - contou a diarista e ajudante da associação de moradores da área nas horas vagas Carla, 35 anos, que não mandou nenhum dos três filhos para a escola nesta segunda-feira.

Depois do principio de incêndio na Escola Municipal Assis Chateaubriand, em uma das saídas da favela, ela não pensou duas vezes em deixar os filhos na casa da mãe.

- Minha mãe mora na parte mais baixa da favela, o que facilita a saída deles se houver um novo confronto. Estou com muito medo - disse.

Carla e outros moradores que vivem próximos a rua Armando de Albuquerque, vizinha à 20ª Delegacia de Polícia, estão sem luz desde sábado. Na troca de tiros, o transformador de luz foi atingido e os moradores da parte mais alta da favela estão no escuro e sem água por não terem como ligar a bomba.

- Só moro aqui por falta de opção. Meu marido, que trabalha no Hospital de Ipanema, precisou faltar o trabalho no sábado - contou a diarista. - Não tinha como sair de casa. Podia ser mais uma vitima das balas perdidas.

Acostumada a esbarrar na favela com traficantes da Amigos dos Amigos (ADA), facção que controla o tráfico de drogas na área, ela diz que não sabe e não vê nada e que essa é a única maneira de se viver muito tempo morando em uma favela.