Missão da Polícia se extendeu de Vila Isabel à Baixada

João Pequeno e Camilla Lopes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Quatro mil policiais foram mobilizados nesta segunda-feira para uma operação sem data para acabar, cercando a área em torno do local onde, no sábado, um helicóptero da PM foi abatido por traficantes.

Enquanto o terceiro dos seis ocupantes do helicóptero morria na manhã de segunda, no Hospital da Força Aérea, a PM ocupava uma área que ia de Vila Isabel até o Complexo da Maré em busca de suspeitos do crime, concentrando-se em pontos dominados pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), como Jacarezinho e Manguinhos, na Zona Norte.

Na tarde de segunda, policiais prenderam Murilo Rodrigues Pimenta, de 18 anos, no Jacarezinho. Segundo a o serviço de inteligência do 3ºBPM (Méier), Murilo que já responde por receptação de material roubado na 14ª Vara Criminal teria admitido participação nos ataques e os levado ao local onde guardava 370 trouxinhas de maconha e uma pistola. A família do suspeito nega.

Meu filho foi arrancado de casa. Ele não fez nada, pegaram ele porque não pegaram os culpados. Meu filho trabalha comigo e com o pai no lava-jato disse a mãe de Murilo, sem se identificar.

Embora o cerco tenha se baseado na Zona Norte do Rio, a operação policial teve desdobramentos até Mesquita, na Baixada Fluminense, onde foi apreendido em meio a forte armamento um rifle Springfield, de fabricação americana, que pode ter sido usado para derrubar o helicóptero da PM no sábado.

O comandante do 20º BPM (Mesquita), tenente-coronel Ivanir Linhares, disse que apreensão partiu de uma denúncia, no domingo, de que traficantes estariam levando armamento do Jacarezinho para a Chatuba, em Mesquita, para tentar escondê-lo da polícia.

As armas foram encontradas divididas em dois botijões de gás em fundos falsos. Os traficantes obrigam até idosos a levar armas escondidas em seus carros.

Linhares ponderou que podia confirmar o uso do rifle apreendido no ataque ao helicóptero, mas ressaltou que a Chatuba também dominada pelo CV costuma ser usada pelos traficantes para esconder armas de favelas mais visadas.

Com 96% do corpo queimado, o cabo Izo Gomes morreu no Hospital da Força Aérea, na Ilha do Governador, onde estava internado. O piloto, capitão Marcelo Vaz de Souza, e o copiloto, capitão Marcelo Mendes, receberam alta, enquanto o cabo Anderson dos Santos permanece internado. Ferido em terra, o major João Jaques Busnello, também teve alta.