Uma história de pompa, kung fu e baladas

Carlos Braga, Jornal do Brasil

RIO - Podemos dividir a história do Cine Íris em três fases. A primeira, começou com a inauguração, em 30 de outubro de 1909, por João Cruz Júnior, inicialmente com o nome de Soberano, homenagem a um dos cavalos do fundador. O nome Íris veio em 1922, depois de uma reforma e por causa de um painel com a deusa homônima da mitologia grega instalado na entrada. Era a fase... ortodoxa.

O segundo ciclo veio com a decisão de exibir filmes eróticos como forma de conter a evasão de espectadores, agravada pela falta de ar condicionado. A opção foi reforçada pela idéia de promover shows de strip-tease, em 1983. A estratégia anterior, de passar faroeste e kung fu não dera certo.

A terceira mudança surgiu com a descoberta do Cine Íris como local para festas. Sua beleza decadente atraiu o então jornalista Léo Feijó, que procurava um lugar para abrigar sua balada Loud. Junto com sócios amigos, fechou contrato de aluguel por quatro sábados seguidos. Ainda não sabiam da dificuldade de organizar um evento no prédio de quatro andares, sem elevador e de escadas estreitas. Em maio de 1999, fizeram a primeira Loud. O sucesso os fez ocupar o lugar até 2005, quando se mudaram para um espaço próprio.

Inauguramos com um ainda desconhecido Los Hermanos lembra Léo Feijó. Foi a primeira grande exposição deles. O curioso é que o dono proibiu que exibíssemos cenas eróticas no telão. O que não impediu que flagrassemos casais transando nas poltronas.

Músicos de Los Hermanos e Autoramas, que fizeram o primeiro show da Loud, lembram o início.

Reencontramos o público que nos via de perto no Garage, no Empório lembra o tecladista dos Hermanos, Bruno Medina.

Gabriel Thomaz, dos Autoramas lembra a foto antes do show.

Eram 15 músicos e DJs, e a Simone (ex-baixista).

Hoje, as festas da DDK acontecem no Íris.

Colaborou João Pequeno