A polícia contra-ataca

Nara Boechat, Jornal do Brasil

RIO - Depois dos confrontos em favelas da Zona Norte do Rio que deixaram 12 mortos no sábado, entre eles dois policiais militares, a PM, que mobilizou 4 mil homens nas últimas 48 horas, respondeu com operações em várias comunidades e nas ruas. Na favela do Jacarezinho, dois traficantes morreram durante uma ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), e quatro outros foram presos. Cerca de 250 quilos de maconha foram apreendidos, junto com material para endolação, um botijão de gás, que seria utilizado para esconder armas e drogas, e duas armas, que estariam com os mortos.

Apesar da contraofensiva policial, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou neste domingo que novos confrontos pelo controle da venda de drogas podem se repetir.

Não se pode descartar isso, trabalhamos com todas as hipóteses. Historicamente, isso já aconteceu. A perda de território e o enfraquecimento de determinadas facções proporcionam isso.

De acordo com o Capitão Blaz, a operação no Jacarezinho foi baseada em informações do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

As informações diziam que no interior de uma residência estaria o material, que foi apreendido em um fundo falso da casa, embaixo de uma cama de cimento relatou o capitão.

Patrulhamento reforçado

Outras ações das polícias Militar e Civil marcaram o domingo na Zona Norte. Durante o dia, policiais cercaram os morros do Jacaré, Macacos e São João, controlando a a entrada e saída de veículos. Enquanto isso, dentro das favelas, equipes revistaram casas e vielas, tentando encontrar os responsáveis pelos ataques de sábado. A corporação também utilizou cães na busca por mais corpos e armas.

No final da tarde, no Morro do São João, no Engenho Novo, policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 14º BPM (Bangu), com apoio do 6º BPM (Tijuca), encontraram dois corpos, com orelhas decepadas, no alto da favela e uma mochila na mata que continha 832 municões de diversos calibes, 33 carregadores de munição e uma granada.

Apesar dos confrontos, os moradores começaram a retornar às suas casas e, durante o dia, era possível ver crianças brincando nas ruas e pessoas conversando nos portões, aparentemente sem medo da violência. Nenhum morador, porém, queria falar sobre o assunto.

O secretário Beltrame afirmou que, entre as armas suspeitas de derrubar o helicóptero da PM no sábado, estão um fuzil 7.62, uma metralhadora calibre 30 ou uma metralhadora calibre 50. A aeronave patrulhava a área quando foi atingida. Dois policiais foram mortos e quatro ficaram feridos.

Vítimas

O comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, reconheceu que pode haver mais inocentes entre as vítimas do confronto. Segundo ele, pessoas engajadas no confronto podem ter sido classificadas equivocadamente como criminosas.

Essas coisas são esclarecidas com tempo. Num primeiro momento, vamos coletando as informações possíveis. Precisamos agora verificar a identidade de cada um. Sabendo da identidade, do local de onde partiram, onde residem e suas atividades normais do dia-a-dia, é que vamos saber verdadeiramente a ocupação de cada pessoa afirmou.