Rio 2016: Medalha de ouro em disposição

Thiago Jansen, Jornal do Brasil

RIO - Grandes eventos esportivos não são feitos somente de atletas e medalhas. Prova disso é a estimativa de que, após a confirmação do Rio de Janeiro como a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o número de inscritos para estarem entre os 45 mil voluntários na primeira Olimpíada do Brasil tenha triplicado no site do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Grande parte dessas pessoas foram voluntárias nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e, satisfeitas com a experiência, já fazem campanha para participarem do maior evento poliesportivo do mundo.

Minha pretensão em 2016 é trabalhar nos Jogos Olímpicos como profissional, mas, se não der, trabalharei como voluntário com prazer comenta o professor de educação física Eduardo Monteiro, 27 anos, que já preencheu seu formulário de inscrição. Fui voluntário no Pan por amor ao esporte e porque sempre quis ver uma competição dessas de perto. Adorei a experiência. Conheci muita gente nova, tive a oportunidade de conversar com profissionais de vários esportes e de vivenciar uma competição de alto rendimento em seu ápice. Não espero menos das Olimpíadas.

O técnico de turismo Dayvidon Vilarim da Silva, 22, gostou tanto de participar do Pan orientando os espectadores que decidiu reunir os candidatos a voluntários para 2016 em uma comunidade virtual.

Criei uma comunidade no Orkut para que outras pessoas saibam do prazer e da importância que é trabalhar num mega evento como esse. O voluntariado é um dos jeitos mais acessíveis de participar de algo desse porte. Além disso, é muito gratificante e positivo para o currículo conta ele, citando sua experiência no Pan como fundamental para conseguir, depois, seu primeiro emprego.

Dentre os candidatos a voluntários, ainda há aqueles para os quais a distância não é empecilho na hora de ajudar o país. Flávia Zelinda Fernandes, moradora do município de Sinop, no Mato Grosso, veio ao Rio em 2007 somente para participar do Pan-Americano e pretende repetir o feito em 2016.

Não adianta apenas assistir ou esperar para criticar depois. Quero poder ajudar de novo e fazer o que eu puder para que o mundo veja do que o brasileiro é capaz afirma ela, que ficou hospedada durante um mês na casa de uma amiga.

Entretanto, apesar de satisfeitos com o trabalho no Pan, alguns voluntários acreditam que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ainda pode realizar algumas melhorias na organização e seleção dos ajudantes de 2016.

A organização do Pan esteve de parabéns, mas acho que deveriam cadastrar os voluntários priorizando a formação e o interesse, ao invés da proximidade do local de trabalho. Sou formada em relações internacionais e só fui designada para assessorar os comitês de outros países após ter ido conversar, por iniciativa própria, com a orientadora do meu treinamento geral. Se eu não falasse nada, poderia acabar subaproveitada comenta Livia Hage, de 28 anos, que também trabalhou 10 meses na candidatura brasileira aos Jogos olímpicos e pretende repetir a experiência em 2016.

De acordo com o COB, o processo de seleção dos voluntários ainda não está definido. Entretanto, por enquanto, os interessados em auxiliar na organização dos Jogos de 2016 devem preencher o formulário no site do COB (www.cob.org.br) e aguardar o contato da organização. Saber inglês não é obrigatório e os requisitos mais importantes são disponibilidade de tempo, ser proativo e ter comprometimento e responsabilidade com horários.