Guerra do tráfico deixa 12 mortos na Zona Norte

Carlos Braga e Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil

RIO - Pelo menos 12 pessoas morreram neste sábado, durante confrontos entre grupos criminosos e policiais na Zona Norte do Rio. Desde a noite de sexta-feira, bandidos da facção Terceiro Comando tentavam tomar pontos de venda de drogas no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Dois dos mortos eram policiais militares que estavam num helicóptero atingido por vários disparos dos traficantes. A aeronave fez um pouso de emergência, mas pegou fogo, matando os dois agentes e ferindo outros quatro, um deles com gravidade.

Ainda na noite de sexta-feira, a polícia cercou as comunidades vizinhas dos Macacos e de São João, de onde teriam partido os traficantes invasores, mas não conseguiu evitar os confrontos, que duraram até a tarde de sábado. Pela manhã, traficantes do Jacarezinho e da Mangueira incendiaram pelo menos oito ônibus nas imediações de suas comunidades. Não houve vítimas, pois os passageiros foram retirados antes.

Mais de 20 homens armados saíram do Jacarezinho com garrafas de álcool na mão e mandaram todo mundo descer do ônibus contou o motorista Fábio Nascimento. Depois, tocaram fogo no meu e em outro que vinha logo atrás.

Prejuízos

A Rio Ônibus calculou os prejuízos em R$ 2,5 milhões. Segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a queima dos ônibus foi para tentar tirar o foco da polícia do Morro dos Macacos:

Já fizeram isso outras vezes. O objetivo é atrair parte do efetivo para outras áreas, mas nós continuamos mobilizados.

Segundo o comandante-geral da PM, Mario Sérgio Duarte, pelo menos 2 mil policiais estavam em ação na tarde de sábado em vários pontos da cidade. Ele informou que foram apreendidos sete fuzis, outras armas e drogas. Duas pessoas foram presas, uma delas menor. Os dez bandidos foram mortos em confrontos com policiais e entre as duas quadrilhas. Dois moradores foram feridos sem gravidade.

O chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, negou que os policiais que estavam no helicóptero tivessem sido colocados em risco, já que a aeronave não era blindada.

Vários helicópteros são usados em operações assim e muitos foram atingidos, sem que caíssem. O piloto, mesmo ferido, conseguiu pousar num campo de futebol, mas infelizmente houve o incêndio que vitimou os policiais militares (Marcos Stadler Macedo e Ediney Canazarro de Oliveira).

O capitão Marcelo Vaz de Souza, com queimadura na mão esquerda, e o capitão Marcelo Carvalho Mendes, com um tiro do pé, foram levados para o Hospital da Polícia Militar, no Estácio. Os cabos Izo Gomes Patrício e Anderson Fernandes dos Santos estão nos hospitais do Andaraí e da Aeronáutica, na Ilha do Governador, com queimaduras.

Atirador ferido

Entre os policiais feridos em terra, está o major João Busnello, atirador de elite que matou, há cerca de um mês, um assaltante que mantinha a gerente de uma farmácia na Tijuca como refém. O major estava de folga ontem, mas foi requisitado para auxiliar no cerco ao Morro dos Macacos. Atingido no joelho, ele foi operado ontem e, segundo informação da PM, passa bem.