Inspeção no Santos Dumont após denúncia do TCU

Nara Boechat, JB Online

RIO - Um dia após vir à tona a denúncia do Tribunal de Contas da União (TCU) de que o sistema de detecção de fumaça e alarme de incêndios do Aeroporto Santos Dumont, no Centro da cidade, estão inoperantes, técnicos de manutenção da Infraero estavam fazendo uma inspeção em todos os extintores e hidrantes localizados no interior do aeroporto. Segundo um dos bombeiros hidráulicos, o serviço é rotineiro e não está ligado ao ocorrido.

- Nós soubemos da notícia hoje, mas sempre fazemos a inspeção. Geralmente é quinzenal ou, no máximo, mensal - disse um dos técnicos, que não quis se identificar.

A denúncia do TCU foi feita durante uma auditoria que investiga outras irregularidades nas obras inacabadas de ampliação do Santos Dumont. Segundo os inspetores, o sistema não funciona desde a reforma de 2004 e que os equipamentos nunca foi instalados por completo. Ainda de acordo com o Tribunal, a obra custou R$ 1,8 milhão.

Para os passageiros e os funcionários do Aeroporto, que transitam pelo local com frequência, a denúncia é grave e alguma medida deve ser tomada para mudar a situação. Segundo o carregador de Malas Roberto Carlos, que trabalha no local há 33 anos, há uma falsa sensação de segurança dentro do Aeroporto.

- As pessoas são desligadas e acreditam que por ser um aeroporto está livre de qualquer problema - diz o carregodor, que presenciou os dois grandes incêndios no Santos Dumont, em 1998 e 2007. - No último incêndio o alarme não funcionou e os bombeiros demoraram 45 minutos para chegar aqui.

Já a bancária Simone Rodrigues, de 42 anos, que é do interior de São Paulo, mas que vem passear no Rio mais de três vezes por ano, os equipamentos de controle do incêndio só deviam ser liberados junto com o sistema de detecção e alarme.

- É o mesmo caso que acontece em uma obra em casa. Se você paga tudo antes, eles não voltam para terminá-la. No Brasil tudo é assim - desabafa a bancária.

Na opinião da professora Maria Emilia Resende Dornelas, de 53 anos, um forte sistema de extintores e hidrantes é insuficiente se não funciona o alarme de detecção.

- De que adianta a brigada sem o alarme? Dinheiro está sendo investido na tecnologia para te avisar sobre o perigo e sem os alarmes adequados, é dinheiro jogado fora - ressalta a professora, que aguardava pela irmã que chegaria a qualquer momento de Florianópolis, em Santa Catarina.

De acordo com a Infraero, o aeroporto tem outros sistemas de incêndio e licença do Corpo de Bombeiros para funcionar. Além disso, há um sistema de monitoramento por câmeras de segurança, que permite a prevenção e combate de incêndios.