Incêndio destrói 2 mil inquéritos em três delegacias do Rio

Flávia Salme, JB Online

RIO - Um prejuízo estimado em R$ 50 mil e mais de 2 mil inquéritos policiais queimados. Este foi o balanço preliminar do incêndio que atingiu, na madrugada de desta sexta-feira, três delegacias em São Cristóvão (Zona Norte). Foram necessários 40 mil litros de água para debelar as chamas, em um trabalho que durou mais de cinco horas e mobilizou soldados de dois quartéis do Corpo de Bombeiros, de Benfica e de Vila Isabel. Ninguém ficou ferido.

A Polícia Civil afirma que somente a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) foi totalmente destruída. A unidade será transferida, provisoriamente, para o bairro de Santo Cristo, onde será instalada no antigo prédio da Polinter, na Rua Silvino Montenegro. A previsão é de que a delegacia permaneça no local até meados de 2010, quando será inaugurada a Cidade da Polícia projeto que irá reunir todas as delegacias especializadas em um terreno da Avenida Suburbana, perto do Jacarezinho.

Investigações preliminares apontam que o incêndio pode ter sido originado por um curto-circuito no depósito onde eram armazenados produtos piratas apreendidos nas operações policiais. Mas a hipótese de uma ação criminosa também será investigada.

A perícia já está sendo feita e, ao que tudo indica, (o incêndio) não foi criminoso. Foi apenas um curto-circuito mesmo avaliou o delegado Eduardo Freitas, da Delegacia de Defesa Serviços Delegados (DDSD), que foi parcialmente atingida, assim como a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). Ontem, as duas unidades funcionaram normalmente. O laudo da perícia deve ficar pronto em 30 dias.

Ainda segundo a polícia, no momento em que o fogo começou alguns agentes faziam um churrasco no pátio. Mas a possibilidade de esta tenha sido a causa do incêndio está descartada, já que os policiais estavam a mais de 50 metros de onde o fogo começou.

Investigações serão salvas

Segundo o delegado Raul Morgado, da DRCPIM, o levantamento inicial revela que cerca de 2 mil inquéritos foram queimados no incêndio. Morgado, no entanto, garantiu que não haverá prejuízo nas investigações, porque o material apurado já tinha sido lançado no sistema de arquivo da Polícia Civil. A estimativa da polícia é recuperar no prazo de um mês todas as informações dos inquéritos.

Ainda ontem, o titular da DDSD esclareceu que as investigações conduzidas pela unidade que ele comanda não foram atingidas. Ao longo do dia, circulava a informação de que as chamas teriam destruído o material que apura os recentes problemas com os trens da SuperVia. Freitas, porém, afirma que o material está íntegro.

Vizinha chamou o socorro

De acordo com os bombeiros que controlaram as chamas, o incêndio teria começado no prédio da Delegacia de Repressão contra a Propriedade Imaterial, cujas instalações foram todas condenadas. Assustada com o volume de fumaça, uma moradora vizinha à delegacia acionou o Corpo de Bombeiros.

- As chamas atingiram o telhado, que não tinha laje. Ele cedeu, provocando fissuras nas paredes laterais. Toda a área precisou ser isolada - informou o comandante do Batalhão de Vila Isabel, Alexandre Tales.

Na manhã desta sexta-feira, ainda havia focos de incêndio, que foram rapidamente controlados.