Moradores de Deodoro torcem para que Jogos tragam progresso

Flavio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO - Contemplado com sete instalações olímpicas três delas ainda a serem construídas o bairro de Deodoro tem realidade bem distinta das demais localidades do Rio incluídas no caderno de encargos para 2016. Com uma população predominantemente de baixa renda, a região carece de infraestrutura básica como pavimentação das ruas e manutenção de praças e áreas de lazer além de não possuir um posto de saúde sequer. A chegada da Olimpíada, no entanto, divide os moradores entre descrentes e esperançosos.

De acordo com a secretaria especial da prefeitura para a Rio 2016, Deodoro passará por várias reformas nos próximos anos. As principais delas dizem respeito à melhoria de algumas vias, que se encontram, em sua maior parte, em péssimo estado de conservação. Mesmo não tendo detalhes a secretaria está aguardando a instalação do comitê executivo, que traçará o planejamento das obras e informa que haverá investimentos em meio ambiente, urbanização e tratamento paisagístico.

Definidas estão apenas as obras que acontecerão na Vila Militar, localidade do bairro que abrigará sete modalidades dos Jogos. O local pertence ao Exército e é utilizado por diversos atletas profissionais e amadores, sendo considerado por especialistas como o maior legado dos Jogos Pan-Americanos.

Apesar da vizinhança com a Vila Militar e dos planos da prefeitura e do COB, muitos moradores estão descrentes que a Olimpíada possa mudar alguma coisa em suas vidas.

Não estou muito a par dos Jogos Olímpicos, só sei que várias competições serão disputadas na Vila Militar. Não acredito que o bairro vá ter melhorias. Pode ser um projeto ou outro, mas a maioria é da boca para fora opina a enfermeira Aparecida França, moradora das proximidades da Vila Militar.

Ela enumera as principais carências de Deodoro e região.

Precisamos de investimentos em saúde, segurança e transportes. Se vai haver melhorias nesse sentido, só o tempo dirá complementa ela, que diz não ter torcido para que a Olimpíada viesse para o Rio.

Drama em posto de saúde

Diferente de Aparecida, o comerciante e gari comunitário André Eduardo tem esperanças de que a Olimpíada possa mudar a cara de Deodoro. Ele pede melhorias na área de saúde e cita um drama familiar vivido há pouco tempo.

Vamos acreditar que a Olimpíada vai melhorar o bairro. Espero que não fique só nas promessas. Acho que nossa maior carência aqui é na área de saúde. Não temos um posto médico em Deodoro. Para sermos atendidos, temos que ir a Guadalupe ou Realengo. Outro dia, levei o meu filho para ser atendido em Guadalupe às 6h e só saí de lá à 1h do dia seguinte relata.

Moradora de Deodoro há 14 anos, a doméstica Estela Vieira de Souza reforça o coro por melhorias na saúde e na segurança.

Acho que a Olimpíada tem tudo para melhorar o bairro, principalmente se construírem um posto de saúde e se melhorarem o policiamento afirma ela, que pede também investimentos em áreas públicas de lazer.