Jogos: Aumenta para nove número de órgãos fiscalizadores

Jornal do Brasil

RIO - Um dia depois de o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro anunciar que acompanhará e fiscalizará o planejamento da Rio 2016, ontem foi a vez de a sociedade civil entrar com sua representação no comitê fiscalizador, aumentando para nove o número de órgãos envolvidos no processo de acompanhamento. Encabeçado pela vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), o movimento Participação 2016 conta com a união de 30 instituições, dentre associações de moradores e ONGs.

Ontem o movimento se encontrou com o prefeito Eduardo Paes para um primeiro contato e apresentação de ideias. Um dos principais questionamentos estava na inclusão de bairros distantes das sedes olímpicas no tão falado legado para a cidade. Um dos idealizadores do movimento, Daniel Becker, presidente da ONG CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde) se mostrou contra a localização da vila olímpica na Barra da Tijuca.

Estamos discutindo o fato de a vila olímpica ser na Barra e gostaríamos de abrir uma discussão em cima disso afirmou Daniel.

Ele explicou as razões da criação do movimento.

Queremos que esse sonho olímpico seja compartilhado com a sociedade, pois, como não pudemos participar de processo semelhante no Pan, acabamos tendo que aceitar o não recebimento de um legado.

Ao ouvir questionamentos sobre o porquê de a Barra ter sido a escolhida, o prefeito Eduardo Paes tratou de se justificar.

A prefeitura se comprometeu com o COI em construir a vila olímpica em um local viável e esse lugar era a Barra da Tijuca. Muitas cidades foram eliminadas por não terem um projeto adequado para suas vilas explicou Paes, que viaja para a Europa na semana que vem para troca de experiências sobre realização dos Jogos em Londres, Atenas e Barcelona.

Linha 4 em pauta

Outro ponto importante levantado no encontro de ontem foi o investimento em transportes. Promessa do governo do estado, a linha 4 do metrô é de interesse de várias associações de moradores. A prefeitura vem atuando na concessão de terrenos, o que desperta a atenção de associações de moradores que não veem a hora de serem beneficiadas pelo meio de transporte subterrâneo.

As obras para a Olimpíada têm de se reverter em algo para a sociedade. A linha 4 do metrô é um interesse antigo dos moradores do Alto Gávea, pois desafogaria o trânsito da região, diminuiria a poluição e encurtaria o tempo das viagens. A prefeitura já liberou vários terrenos para o metrô, agora é com o estado destacou o presidente da Associação dos Moradores do Alto Gávea, Joaquim Bocaiúva.

Apesar de alguns interesses individuais, o Participação 2016 garante que as reivindicações e debates serão feitos em caráter coletivo.

A Olimpíada é um evento para a cidade. Nós não moramos no bairro, moramos na cidade. O trabalho aqui será em conjunto e é por isso que nos unimos ressaltou a presidente da Associação dos Moradores de Botafogo (Amab), Regina Chiaradia.

A vereadora Andrea Gouvêa Vieira classificou como positivo o primeiro encontro.

Com este governo, pelo menos, dá para conversar resumiu.