Teatro Municipal guarda trabalho de reforma, que pode ser visitado

Thiago Jansen, Jornal do Brasil

RIO - Dentro do Teatro Municipal, onde figurinos e cenários dão lugar a capacetes e andaimes, as atuais estrelas do espetáculo são os cerca de 300 profissionais pintores, eletricistas, restauradores e operários que correm contra o tempo para reformar uma das mais clássicas construções da cidade. Em meio a placas de madeira, faixas de interdição e avisos de cuidado , eles executam atividades tão delicadas que a reinauguração do teatro precisou ser adiada de julho mês de seu centenário para novembro.

O atraso nas obras do Teatro Municipal não foi resultado de mau planejamento de seus organizadores, mas produto do caráter minucioso dos trabalhos de restauração, atividades naturalmente demoradas que visam reparar danos e preservar ao máximo as características originais da arquitetura e das peças do teatro afirma a arquiteta Cecília Modesto, assessora especial da Presidência do Municipal.

A minúcia à qual Cecília se refere é observada em uma visita aos corredores do teatro, onde os profissionais trabalham com máscaras cirúrgicas, luvas, pincéis e espátulas, reparando e limpando tetos e ornamentos de bronze dourado.

Algumas surpresas exigiram mais cuidados e tempo da equipe.

Durante a restauração descobrimos o proscênio original do Municipal, criado pelo artista Eliseu Visconti e que estava em uma parede atrás do atual. Uma verdadeira lenda que virou história diz Cecília, referindo-se ao friso sobre o arco à frente do palco do teatro.

Iniciadas em dezembro de 2008 e orçadas em cerca de R$70 milhões, as obras do Teatro Municipal já mostram avanços em sua fachada centenária. As partes altas do telhado estão prontas e todas as áreas com vazamentos foram recuperadas. A águia de cobre, de cerca de dois metros de altura e seis de envergadura, no topo do teatro, também já foi restaurada e pode ser observada pelo público através de uma vitrine ao lado do teatro.

Dentro do prédio, o plafon parte do teto onde se instalam lustres e as obras de arte de Visconti localizadas na sala de espetáculos já estão prontos. As reformas no teto da grande escadaria central, no piso do balcão nobre e no proscênio também já foram finalizadas, assim como as instalações hidráulicas e de esgoto na área do público.

Restaurados temem por futuro

Restauradores temem que muito do dinheiro e dos esforços investidos no Teatro sejam desperdiçados no futuro, por considerarem que o Brasil não tem cultura de preservação de construções antigas. Aqui no Rio, há dezenas de prédios históricos em situação semelhante ao Municipal e o poder público não está nem aí para isso desabafa Samitri Bará, estudante de artes visuais que trabalha desde maio como auxiliar de restauração.