Número de prisões de supostos milicianos aumenta a cada ano

Mario Hugo Monken, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Ao ser questionada pelo JB, a Secretaria de Segurança Pública informou que a proliferação de milicianos por todos os batalhões têm tido uma resposta à altura: o aumento no número de prisões.

Segundo a pasta, só este ano foram presos 151 envolvidos com grupos paramilitares, contra 78 no ano passado, 24 em 2007 e apenas cinco em 2006.

Estamos combatendo os desvios de conduta na mesma proporção que eles têm acontecido , explicou a Secretaria, em nota. Nem todos os presos são policiais.

A Polícia Militar também informou que não tolera desvios de conduta e que até maio deste ano havia expulso oito pessoas por envolvimento com milicianos (em 2008, foram 11 demitidos). Outros 37 estão sendo submetidos a Conselho de Disciplina (que pode levá-los à expulsão), nove a inquéritos e 46 a investigações preliminares (sindicâncias e averiguações).

Nesta sexta-feira, a corporação publicou em seu boletim interno a expulsão de um dos chefões da milícia: o sargento Luiz Monteiro da Silva, conhecido como Doem, lotado no 22º BPM (Complexo da Maré).

Apontado como líder de um grupo paramilitar em Jacarepaguá (Zona Oeste), Doem foi preso recentemente acusado de desmatar uma área de Mata Atlântica para a construção de um condomínio.

Segundo as investigações, Doem possuiria um patrimônio de cerca de R$ 336 mil, incompatível com seu salário na PM.

De acordo com o que foi publicado no boletim interno da corporação, Doem era proprietário de 24 imóveis e três carros um Toyota Hilux 2000, um Saveiro 2008 e um Troller 2008. É acusado ainda de grilagem, exploração de TV a cabo clandestina, distribuição ilegal de gás e transporte coletivo ilegal. O policial pode recorrer da decisão.

Mais batalhões

O 22º BPM, do qual fazia parte Doem, tem mais três envolvidos com milícias. Um soldado está preso, acusado de integrar a Liga da Justiça. Outros dois foram citados na CPI das Milícias como atuantes em Austin (Baixada Fluminense) e na comunidade Amorim, em Manguinhos.

Até mesmo o 16º BPM (Olaria), que policia uma área totalmente dominada pelo tráfico (Complexo do Alemão) também tem suspeitos de milícia. São pelo menos seis investigados. Um deles por participar também da Liga da Justiça. Outro é acusado de comandar o grupo que atua no Conjunto 29 de Abril, em Guadalupe (Zona Norte). Ainda há dois PMs citados por participarem da milícia do Conjunto Habitacional Quitungo, em Brás de Pina.