Juiz pede prisão em morte na feira

Jornal do Brasil

RIO - O juiz Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez, da 2ª Vara Criminal da Capital, ordenou sexta-feira a prisão preventiva do ex-policial militar Jarbas Hernandes Araújo, sob a acusação de ter matado o menino Leonardo Dias de Souza em uma feira livre na Tijuca, Zona da Norte da cidade, no dia 31 de julho. O caso impressiona pela brutalidade do assassino, numa das histórias de maior violência e estupidez do mês passado.

Leonardo, que trabalhava na feira como entregador, foi morto a tiros pelo simples motivo de que brincava de jogar frutas nos amigos. Ele teria ironizado o segurança, que decidiu persegui-lo. As investigações da 19ª DP (Tijuca) levaram rapidamente à identidade de Jarbas, que fazia segurança particular na feira livre do local.

Jabá , como é conhecido, correu atrás de Leonardo por mais de cem metros, segundo testemunhas, e disparou contra o garoto, que acabou morrendo com um tiro na cabeça. O acusado ainda não foi encontrado pelos investigadores.

Ele tentou dar uma rasteira no meu irmão, que conseguiu escapar Ele começou a correr para pegar o meu irmão. Como não conseguiu, atirou na perna dele contou Cláudio Henrique Costa, de 21 anos, irmão de Leonardo, no dia do enterro, ocorrido em 1º de agosto.

Alguns feirantes disseram que o menino correu mancando até ser atingido por mais dois tiros nas costas. Ao tentar um último esforço em se esconder, teria recebido o último tiro na cabeça.

Os autos do processo registraram que o ex-policial militar tinha o hábito de portar arma de fogo. Segundo o juiz, algo que coloca a ordem pública em risco potencial e permanente . Reconhecido por três testemunhas, Jarbas não foi encontrado pela polícia em sua residência para prestar esclarecimentos.

Intenção de fuga

De acordo com as investigações, a namorada de Jabá confirmou que o suspeito não pretende se apresentar espontaneamente à Justiça para se defender das acusações. No entendimento do juiz Paulo Baldez, fica patente a sua intenção de evadir-se do distrito da culpa para se furtar a eventual aplicação da lei penal, o que autoriza a cautela provisória restritiva da liberdade .

Para Baldez, a possibilidade de intimidação de testemunhas arroladas na denúncia por parte de Jabá, que era figura conhecida na feira livre, seria um indicativo para a necessidade da decretação da prisão.

Necessária a prisão provisória também para a garantia e a conveniência da instrução criminal , finalizou o juiz no decreto da prisão preventiva.

O caso é outra triste marca do bairro da Tijuca contra a infância. Lá também morreu o menino João Roberto, fuzilado por PMs.